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Funasa e Conceição firmam acordo para atendimento de indígenas

Iniciativa possibilitará que profissionais participem de um curso de extensão

Representantes das aldeias e crianças indígenas participaram de evento na Capital
Representantes das aldeias e crianças indígenas participaram de evento na Capital Foto : Alexandre Mendez
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) formalizaram um termo de compromisso inédito no Rio Grande do Sul nesta segunda-feira. A iniciativa possibilitará que assistentes sociais, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem participem de um curso de extensão em Saúde da População Indígena, na Escola de Saúde Pública. O objetivo é capacitar os profissionais de modo a qualificar o atendimento no GHC - referência estadual no atendimento de indígenas das etnias caingangues, mbiá-guaranis e charruas.

“Existem dificuldades a serem resolvidas. Por vezes, o desconhecimento da língua indígena guarani, o que dificulta a comunicação com os pacientes. Nesses casos, a direção do GHC requisita o apoio de intérpretes, com apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai). O coordenador de Participação Cidadã do GHC, Alberto Moura Terres, revelou que existem situações em é necessário convencer os índios enfermos a deixarem as aldeias para serem tratados no hospital. “Nossa intenção é que esses profissionais visitem as aldeias para conhecer a realidade indígena”, frisou Terres.

De acordo com o Relatório de Atendimento Indígena da Funasa, 54 índios foram atendidos nas unidades hospitalares do GHC em 2009, sendo a maioria no Hospital da Criança Conceição. No período, houve nove internações e 30 consultas com pneumologistas. O coordenador de Saúde Indígena da Funasa, Jair Martins, revelou que o Estado abriga 19.546 indígenas distribuídos em 102 aldeias e 27 acampamentos. Neste universo, 17.798 são caingangues. Há ainda 1.826 mbiá-guaranis e 12 charruas.

Martins revelou que o Rio Grande do Sul é um dos Estados com melhores resultados na assistência à saúde dos povos indígenas. “Inclusive a mortalidade de crianças menores de um ano conseguimos reduzir”, assinalou. Em 2003, a cada 1 mil nascidos, 99 bebês indígenas morriam. Em 2009, a mortalidade caiu para 26 por mil nascimentos. Martins também comemora a imunização, até o final da semana passada, de 91% da população indígena gaúcha com a vacina contra gripe A (H1N1).

Nesta segunda, por conta do Dia do Índio, das 9h às 12h, representantes das aldeias e crianças indígenas participaram de evento no auditório do Hospital Cristo Redentor. As crianças brincaram com médicos e enfermeiros. Meninos e meninas da Aldeia da Estiva, em Viamão, fizeram apresentações artísticas para os funcionários do GHC, incluindo danças e cantorias em guarani.

O primeiro enfermeiro mbiá-guarani do País, Zico Wera da Silva, também prestigiou o evento. Morador da Aldeia da Estiva e graduado em Enfermagem pelo Centro Universitário IPA desde agosto do ano passado, Zico atua na Assessoria de Saúde Indígena da Funasa. “Tenho acompanhado a vacinação contra a gripe A em 44 municípios gaúchos”, disse. Outra meta do enfermeiro indígena é acompanhar a evolução da saúde mental dos índios. “Pretendo trabalhar preventivamente contra o consumo de álcool e drogas nas 22 aldeias mbiá-guaranis”, frisou. Zico revelou que os ensinamentos obtidos na universidade são adaptados às necessidades dos índios.