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Funcionárias do Samu denunciam falta de estrutura para atender suspeita de ebola

Secretário de Saúde de Porto Alegre garantiu que serviço foi acionado porque infecção foi descartada

Secretário da Saúde garante que não se tratava de suspeita da doença
Secretário da Saúde garante que não se tratava de suspeita da doença Foto : PMPA / Divulgação / CP
Por Bibiana Borba

Duas funcionárias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Porto Alegre que se negaram a atender um paciente por suspeitarem que ele estaria contaminado pelo vírus ebola denunciam a falta de estrutura do município para lidar com suspeitas da doença. O caso teria ocorrido na última quinta-feira.

Uma delas - auxiliar de enfermagem que prefere não se identificar - foi designada para atender um senegalês de 32 anos, que relatava febre e desmaios. Ela afirma que se negou a prestar socorro porque não recebeu treinamento para lidar com suspeitas da doença. Além disso, uma ambulância de atendimento básico seria encaminhada ao local, sem qualquer estrutura ou roupas de proteção.

Outra técnica de enfermagem foi requisitada e também se negou a atender o homem que, por fim, teria sido auxiliado por uma gerente do Samu, no mesmo veículo sem estrutura. Apenas mais tarde foi verificado, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Norte da Capital, que os sintomas não tinham relação com o vírus.

O secretário municipal da Saúde, Carlos Henrique Casartelli, garantiu que a suspeita de ebola havia sido descartada antes das ambulâncias serem acionadas, já que o paciente havia chegado ao Brasil há mais de um ano, antes da epidemia da doença na África. Casartelli disse que o chamado ao Samu foi avaliado previamente por supervisores e que as funcionárias foram negligentes por se deixarem afetar por suspeitas pessoais. “No momento em que há determinação de quem regula, cabe às bases do Samu prestar atendimento. Qualquer questionamento deve ser feito depois. Quem determinou o atendimento, obviamente, sabia da situação. Nós não somos irresponsáveis a ponto de mandar alguém atender um caso de ebola. O pânico pode existir entre a população em geral, não entre profissionais da saúde”, afirmou o secretário.

A funcionária que fez a denúncia à reportagem, servidora do Samu há quase 15 anos, relatou que foi informada apenas depois de que o senegalês estava no Brasil há mais de um ano. Ela e a colega teriam argumentado que a Unidade Ebola, uma ambulância do Samu equipada e com equipes treinadas, deveria ter sido encaminhada ao local. No entanto, dizem que nunca viram o veículo ou conheceram os colegas que teriam recebido treinamento. “Nós estamos vendo que essa Unidade Ebola é utópica. Isso foi divulgado na mídia, mas eu desconheço. Dizem que há três enfermeiros e três médicos preparados, mas assim existiria um furo na escala, pois precisamos de quatro equipes para cumprir atendimento durante 24 horas em uma ambulância”, explicou a servidora.

O secretário ressaltou que, se a suspeita fosse real, os médicos e enfermeiros treinados teriam sido acionados. Uma das auxiliares de enfermagem foi convocada para uma reunião com a direção do Samu, às 16h desta terça, em que teme ser demitida. Casartelli afirmou que essa é uma possibilidade, além de comunicação do caso ao Conselho Regional de Enfermagem, por negativa de socorro. As duas funcionárias fazem plantões no turno da noite e são designadas a atender emergências acompanhadas, cada uma, apenas de um motorista.

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