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Funcionários da Carris cruzam os braços e 90% da frota está parada

Mobilização dos trabalhadores da companhia surpreendeu moradores de Porto Alegre

Manifestação ainda não tem prazo para acabar
Manifestação ainda não tem prazo para acabar Foto : Vinícius Roratto
Os moradores de Porto Alegre foram surpreendidos na manhã desta sexta-feira pela mobilização dos trabalhadores da companhia Carris, responsável por grande parte do transporte público da Capital. Segundo informações do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre, 90% dos funcionários estão de braços cruzados – o que significa que apenas 10% dos ônibus estão circulando pelas ruas.

Por volta das 7h, a mobilização começou a refletir no transporte público de Porto Alegre. Usuários da Carris foram pegos de surpresa e as paradas começaram a ficar cheias. Algumas pessoas relatavam que aguardavam ônibus havia mais de uma hora. A situação deve se complicar ao longo da manhã, já que muitos trabalhadores saem de casa após esse horário.

A mobilização teve início por volta das 4h, quando os primeiros trabalhadores chegaram à garagem da companhia, que fica na rua Albion, bairro Partenon. Apenas 29 ônibus estão operando, quando cerca de 300 deveriam estar nas ruas. Diariamente, os veículos da Carris atendem a 300 mil pessoas, percorrendo 77 mil quilômetros. Dois mil funcionários trabalham na companhia, entre motoristas, cobradores e mecânicos.

Entre as reivindicações dos funcionários da Carris, estão o excesso de cargos de confiança na empresa pública; sucateamento da frota e das oficinas; falta de segurança para motoristas, cobradores e passageiros; uniformes de má qualidade; e falta de condições para cumprimento dos horários.

Sem prazo para retornar ao trabalho

O presidente da Carris, Sérgio Zimmerman, disse em entrevista à Rádio Guaíba que a manifestação ainda não tem prazo para acabar. O dirigente espera uma reunião para esta manhã para definir a situação. "Teremos um encontro com o comitê gestor para que a gente tome uma decisão de governo. Os funcionários não concordaram em voltar ao trabalho imediatamente", relatou.

Uma das reivindicações dos funcionários da Carris envolve o pagamento de um prêmio motivacional. Os trabalhadores exigem que a quitação seja feita nesta sexta-feira. Zimmerman minimizou a situação e explicou a origem da premiação. "Na verdade, isso nós fazemos todo o ano, às vezes em duas vezes (semestralmente) ou no final do ano, pagando de forma integral. Esse pagamento não pode ser feito hoje, porque ele era um acordo interno e agora está regido pela legislação. Precisamos de uma avaliação jurídica para cumprir essa promessa", argumentou.

Zimmerman acredita que a manifestação dos funcionários da Carris pode ser classificada apenas como paralisação e não como um movimento grevista.

A mobilização – que tem características de paralisação – foi decidida durante a noite dessa quinta-feira. De acordo com a Constituição Federal, greves nos serviços essenciais precisam ser informadas com 48 horas de antecedência, além disso pelo menos 30% dos trabalhadores têm que seguir atuando.

Paradas em Porto Alegre começaram a lotar após as 7h / Foto: Vinícius Roratto

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