Membro da comissão de funcionários da Carris, Luciano Odorizi informou ao site do Correio do Povo que cerca de 20% da frota está na rua. "Demos a liberdade de ir e vir. Alguns colegas que decidiram trabalhar estão nas ruas, mas a maioria está aqui, dando continuidade à paralisação", explicou.
Para Odorizi, a população de Porto Alegre e os próprios funcionários é quem estão perdendo com a paralisação. "Nós consideramos que todos já tiveram bastante prejuízo com tudo isso. Queremos deixar claro que essa manifestação não tem cunho político, mas nós trabalhadores nos preocupamos com os rumos que a Carris está tomando", afirmou.
Odorizi reclama do sucateamento da empresa e das condições de trabalho. "Temos relatos até de assédio moral aqui dentro. Os uniformes não são bons e a população pode perceber que os ônibus estão sujos. Estão economizando até na lavagem dos veículos", revelou.
Funcionários da Carris descumprem ordem judicial e mantêm paralisação | Foto: Tarsila Pereira
Conforme o funcionário da Carris, o prêmio motivacional prometido pela empresa teria sido o estopim para a paralisação. No entanto, Odorizi admitiu que somente a premiação não seria motivo para a manifestação. "A empresa jogou para os rodoviários essa responsabilidade, mas nós não somos mercenários. Existe o mau funcionamento da frota e a população pode notar que sempre temos ao menos um veículo guinchado. Isso tudo gera descontentamento", finalizou.
A decisão da desembargadora Rosane Serafini indicou que o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Porto Alegre mantenha nos postos de trabalho funcionários suficientes para que 70% da frota da Carris possa circular nos horários de pico e 50%, nos demais horários.
Está programada uma audiência de mediação no Ministério Público do Trabalho na manhã de segunda-feira. O deferimento do pedido da Carris ocorreu na noite dessa sexta-feira e com o não cumprimento da decisão judicial, o sindicato terá que pagar uma multa diária de R$ 15 mil.