A assessoria de imprensa do Grupo Conceição informou que o problema da superlotação atinge todos os hospitais, tanto públicos quanto privados, e que a maioria dos pacientes levados à emergência pediátrica poderia ser atendido em postos de saúde, pois não são casos de urgência.
O autônomo Marcelo Iriondo foi com o filho de 13 anos na emergência do Conceição e teve que aguardar quase nove horas para que ele fosse atendido. Ele contou que chegou às 17h e esperou até quase 2h. "Havia pessoas não só de Porto Alegre, mas de Viamão, Guaíba e outras regiões aguardando atendimento", falou.
Iriondo procurou a instituição após não conseguir resolver o problema do filho no posto de saúde. Sobre a superlotação, disse que já enfrentou a situação várias vezes em que precisou buscar um médico para o filho. "Os pais acabam ficando doentes também, porque deixamos de trabalhar para resolver a situação das crianças e nada é resolvido. Ficam até piores", afirmou.
Nesta quinta-feira, o autônomo voltou com o filho à emergência pediátrica, e acredita que terá que ir até outro local, já que o menino continua com febre e dores de cabeça e na garganta. "A gente se sente impotente porque não se resolve o problema em um só local, tem que ficar indo pra lá e pra cá", revelou.
A manicure Márcia Corrêa levou o filho de 11 anos, que estava com febre desde domingo, ao hospital. Após ter ido ao posto de saúde, ela foi orientada a buscar a instituição, já que os exames solicitados só ficariam prontos na próxima semana. Márcia chegou à emergência pediátrica às 17h de ontem e o filho só foi atendido cerca de 1h de hoje.
"Disseram que tinham quatro médicos atendendo, mas na verdade só tinha um", disse Márcia sobre a demora para ser chamada. Durante as mais de oito horas que permaneceu no setor, ela contou que havia aproximadamente 30 pais de crianças debilitadas. "Passar por uma situação dessas é constrangedor", declarou.
Sobre a confusão envolvendo pais de pacientes e funcionárias, Márcia disse que algumas mães começaram a gritar pedindo para que os filhos fossem atendidos, o que gerou discussão entre as partes. Ela negou, porém, que tenham sido feitas ameaças aos profissionais.
Na manhã de hoje a manicure voltou com o filho ao hospital para fazer exames e falou que a situação parecia mais calma. Por volta das 10h, 28 crianças estavam num espaço com 14 leitos, 21 internadas e sete em cadeiras. Outras 20 aguardavam atendimento, e havia cinco médicos trabalhando.
Na terça-feira, uma jovem de 18 anos quebrou a pedradas um vidro do Hospital de Caridade de Viamão, na região Metropolitana, e agrediu um segurança e ameaçou policiais. Ela alegou ter se descontrolado após 13 horas aguardando ser atendida em razão de dor e falta de ar. Uma fiança de R$ 2 mil foi estipulada, mas a jovem foi liberada mesmo sem o pagamento, pois o Judiciário determinou a liberdade provisória.