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Funcionários do Conceição são ameaçados por pais de pacientes

Motivo foi demora de quase nove horas para atendimento no hospital de Porto Alegre

Hospital fica na zona Norte de Porto Alegre
Hospital fica na zona Norte de Porto Alegre Foto : Carla Ruas / CP Memória
Funcionários do setor de emergência do Hospital da Criança Conceição, em Porto Alegre, foram ameaçados por pais de pacientes na noite dessa quarta-feira. Algumas pessoas se revoltaram com a demora para atendimento, já que a espera chegou a quase nove horas. Assustados, funcionários chamaram a Brigada Militar, com medo de serem agredidos. Quatro policiais do 11º Batalhão permaneceram no local até as 3h para controlar a situação.

A assessoria de imprensa do Grupo Conceição informou que o problema da superlotação atinge todos os hospitais, tanto públicos quanto privados, e que a maioria dos pacientes levados à emergência pediátrica poderia ser atendido em postos de saúde, pois não são casos de urgência.

O autônomo Marcelo Iriondo foi com o filho de 13 anos na emergência do Conceição e teve que aguardar quase nove horas para que ele fosse atendido. Ele contou que chegou às 17h e esperou até quase 2h. "Havia pessoas não só de Porto Alegre, mas de Viamão, Guaíba e outras regiões aguardando atendimento", falou.

Iriondo procurou a instituição após não conseguir resolver o problema do filho no posto de saúde. Sobre a superlotação, disse que já enfrentou a situação várias vezes em que precisou buscar um médico para o filho. "Os pais acabam ficando doentes também, porque deixamos de trabalhar para resolver a situação das crianças e nada é resolvido. Ficam até piores", afirmou.

Nesta quinta-feira, o autônomo voltou com o filho à emergência pediátrica, e acredita que terá que ir até outro local, já que o menino continua com febre e dores de cabeça e na garganta. "A gente se sente impotente porque não se resolve o problema em um só local, tem que ficar indo pra lá e pra cá", revelou.

A manicure Márcia Corrêa levou o filho de 11 anos, que estava com febre desde domingo, ao hospital. Após ter ido ao posto de saúde, ela foi orientada a buscar a instituição, já que os exames solicitados só ficariam prontos na próxima semana. Márcia chegou à emergência pediátrica às 17h de ontem e o filho só foi atendido cerca de 1h de hoje.

"Disseram que tinham quatro médicos atendendo, mas na verdade só tinha um", disse Márcia sobre a demora para ser chamada. Durante as mais de oito horas que permaneceu no setor, ela contou que havia aproximadamente 30 pais de crianças debilitadas. "Passar por uma situação dessas é constrangedor", declarou.

Sobre a confusão envolvendo pais de pacientes e funcionárias, Márcia disse que algumas mães começaram a gritar pedindo para que os filhos fossem atendidos, o que gerou discussão entre as partes. Ela negou, porém, que tenham sido feitas ameaças aos profissionais.

Na manhã de hoje a manicure voltou com o filho ao hospital para fazer exames e falou que a situação parecia mais calma. Por volta das 10h,  28 crianças estavam num espaço com 14 leitos, 21 internadas e sete em cadeiras. Outras 20 aguardavam atendimento, e havia cinco médicos trabalhando.

Na terça-feira, uma jovem de 18 anos quebrou a pedradas um vidro do Hospital de Caridade de Viamão, na região Metropolitana, e agrediu um segurança e ameaçou policiais. Ela alegou ter se descontrolado após 13 horas aguardando ser atendida em razão de dor e falta de ar. Uma fiança de R$ 2 mil foi estipulada, mas a jovem foi liberada mesmo sem o pagamento, pois o Judiciário determinou a liberdade provisória.


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