Segundo o presidente da Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição, Roberto Carlos Neri, o cenário de “campo de concentração” é frequente na emergência. “Não é possível aceitar que pacientes fiquem mais de 48 horas sentados em cadeiras porque não há macas e nem médicos para atendê-los”, afirmou ele.
Com a precária estrutura de atendimento, o presidente destacou que os profissionais da saúde também estão se tornando os pacientes. “Não é fácil trabalhar com este nível de pressão e a situação só piora. Muitos dos profissionais estão doentes”, avaliou. Os quatro hospitais do GHC - Conceição, Fêmina, Cristo Redentor e o da Criança Conceição - e os 12 postos de saúde têm oito mil funcionários.
A funcionária do Hospital Conceição Rejane Regina, que também participou da mobilização, apontou ainda que não existem profissionais suficientes para prestar serviço. “A rotatividade de funcionários é grande porque muitos não aguentam e o processo de seleção é lento”, afirmou ela.
Além da manifestação, os funcionários também pediram que os representantes dos governos federal, estadual e municipal façam a sua parte, gerenciando melhor o Sistema Único de Saúde. Em um documento entregue aos pacientes, os funcionários mostraram que existem alternativas para amenizar o problema de superlotação nas emergências.
“Há dois hospitais da Ulbra fechados e duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que funcionariam 24 horas e abririam mais de 500 leitos para o SUS, mas que ainda não foram construídas. Isso prova que é possível reverter a situação”, disse o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Federais da Saúde, Trabalho e Previdência, Joel Soares.
Contraponto
Para o superintendente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Neio Lúcio Pereira, "somos um sintoma do sistema. Quando nós estamos lotados, é sinal de que o sistema de saúde está doente". De acordo com Pereira, o GHC recebe paciente além da capacidade da instituição.
"Temos cerca de 25% de todos os atendimentos em emergências de Porto alegre. A população aumentou e os hospitais diminuíram. Como resolver essa equação? Temos problema apenas na emergência clínica para adultos, que suporta 50 e hoje tem 133 pacientes. Já temos funcionários com contratos emergenciais para atender o dobro da capacidade", afirmou.
O superintendente do Grupo Hospitalar Conceição afirma que o problema não é apenas da instituição. "Se as pessoas estão vindo para cá, é porque algum lugar não está funcionando bem", conclui.