Funcionários do Hospital de Clínicas protestam contra retirada de adicionais de insalubridade
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Funcionários do Hospital de Clínicas protestam contra retirada de adicionais de insalubridade

Medida instaurada em janeiro pela direção da instituição afetou 100 trabalhadores

Por
Cláudio Isaías

Paralisação com duração de sete horas não afetou andamento

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Funcionários da lavanderia, da creche e do refeitório (nutrição) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) realizaram nesta quarta um protesto contra a retirada dos adicionais de insalubridade e periculosidade de 250 trabalhadores. A medida foi implementada no mês de janeiro pela direção da instituição de saúde. A paralisação com duração de sete horas, das 7h às 14h, reuniu mais de 100 servidores e foi feita no saguão do local, na rua Ramiro Barcelos, e não prejudicou o atendimento de pacientes e as consultas marcadas.

O presidente do Sindisaúde/RS, Arlindo Ritter, disse que os trabalhadores atingidos pela medida viviam há anos com os valores nos seus contracheques. "O protesto foi motivado porque os funcionários se encontram predominantemente na faixa dos salários mais baixos do hospital, e de uma hora para outra deixaram de contar com suas remunerações completas", ressaltou.

Ritter criticou a postura da administração do Hospital de Clínicas. "A direção sequer teve a decência de manter a categoria informada. Esse tema está sendo discutido desde 2017 com o Tribunal de Contas da União (TCU) e com a Controladoria-Geral da União (CGU) e sequer a administração do hospital tentou buscar uma forma de compensação dos trabalhadores", lamentou. Ele afirmou que o valor retirado dos funcionários é insignificante em relação ao orçamento de R$ 1,4 bilhão do HCPA para 2019.

"Queremos negociar com a direção do hospital a manutenção dos adicionais de insalubridade e periculosidade dos três setores", acrescentou Ritter. Em nota, a direção do Hospital de Clínicas informou que como instituição pública federal é periodicamente auditada por órgãos externos de fiscalização como a CGU, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o TCU que monitoram as atividades do hospital.

Neste contexto, foram realizadas auditorias sobre os adicionais de insalubridade e periculosidade quanto ao atendimento de critérios técnicos e legais previstos na portaria do Ministério do Trabalho quando se constatou a necessidade de readequação de alguns postos de trabalho. Em relação ao protesto, a direção reiterou que respeita o direito de manifestação dos trabalhadores e reforça sempre a manutenção da prestação dos serviços essenciais. O hospital, segundo a nota, se organizou para o atendimento pleno sem prejuízo a população.