“Trabalho há sete anos nesta empresa. Mesmo sem receber a gente tinha esperança. Pedíamos dinheiro para parentes para nos sustentar, mas agora nem trabalhar podemos. O pior é que a empresa se recusa a dar satisfações, simplesmente nos ignora”, disse o mecânico Adolir Ashidmini, de 57 anos.
Na mesma situação está Marcos Noronha, de 49 anos, que há duas décadas trabalhava na fábrica que produz xampu, acetona e condicionadores. Sem saber como proceder, ele, junto com outros funcionários, ficou durante toda a manhã aguardando alguma definição sobre o futuro profissional. “Além de não nos pagar, não nos avisaram da real situação da empresa. É um desrespeito, pois temos família e contas para pagar”, argumentou Noronha.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Porto Alegre (Sindiquímica), Gelci Gonçalves Teixeira, nenhum funcionário da indústria de produtos químicos tirou férias desde 2010 e a responsável técnica teria pedido demissão no mês passado em razão dos constantes atrasos salariais. “A Lafil está trabalhando em desacordo com a lei, produzindo produtos sem a supervisão necessária, além de desrespeitar os trabalhadores. Temos documentos que comprovam o não pagamento de salário e depósito do FGTS”, afirmou Teixeira.
O Sindicato das Indústrias Químicas do Rio Grande do Sul (Sindiquim) preferiu não se envolver na questão por se tratar de assunto particular e não coletivo da categoria. A empresa foi procurada pela reportagem do Correio do Povo, mas não se manifestou.