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Fundadora do Patronato Lima Drummond é sepultada no Jardim da Paz

Presidente da entidade diz que trabalho de Maria Ribeiro da Silva será mantido

Maria dedicou quase toda a vida para trabalhar na assistência a egressos das penitenciárias gaúchas
Maria dedicou quase toda a vida para trabalhar na assistência a egressos das penitenciárias gaúchas Foto : André Ávila
Por Karina Reif


Ex-presos e familiares conduziram o caixão da fundadora do Patronato Lima Drummond, Maria Ribeiro da Silva Tavares, para a sepultura no Cemitério Jardim da Paz, em Porto Alegre, nesta segunda-feira. Às vésperas de completar 103, ela morreu de insuficiência respiratória no domingo. Maria dedicou quase toda a vida para trabalhar na assistência a egressos das penitenciárias gaúchas e utilizou todos os recursos que tinha para acolher milhares de homens depois de cumprirem a pena.

Maria trabalhava como assistente social no Presídio Central e, quando ficou viúva, utilizou a herança para começar a ajudar os ex-presos, os quais chamava de anjos. “Ela dizia que não existiam pessoas irrecuperáveis”, contou Luís Carlos Machado, 50 anos, que cresceu no patronato, pois a mãe dele trabalhava na casa. “Ela era uma terceira mãe para mim”, afirmou.

Assim como ele, os familiares de Maria, incluindo os netos conviviam com os ex-detentos. “Para nós, era normal. Eles nos cuidavam”, disse a neta Angela Tavares, 50 anos. Os antigos presidiários retribuíam o carinho de Maria. Muitos deles se transformaram em dentistas, advogados e retornavam ao patronato para ajudar.

Roberto da Rosa Sotello, 50 anos, esteve ao lado de Maria até a morte. “Na verdade, era ela que me cuidava”, destacou. Ele havia sido preso por sequestro e, quando foi para o regime semiaberto, seguiu para o patronato. “O juiz não queria que eu fosse, mas a dona Maria falou que era para eu ficar”, contou. Segundo ele, se não fosse a confiança da mulher, não teria se recuperado. “Eu ainda estava no crime quando fui recebido por ela, mas não podia trair a confiança. A gente não falta com quem confia na gente”, observou. “A morte dela é uma perda para todos nós e para a sociedade”, disse.

No velório realizado no patronato, a cadela vira-latas Milka ficou sentada ao lado do caixão até o momento de seguir para o cemitério. O local deve continuar zelando pelo trabalho iniciado por Maria. “Haverá continuidade de tudo o que dona Maria deixou”, prometeu o presidente da entidade, Nicio Brasil Lacorte.

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