Depois de passar por momentos dramáticos no mar gelado na costa do Líbano, o assistente veterinário Vitor Pinheiro Melo, de 35 anos, se recupera no hospital Monla, em Trípoli. Ele foi um dos 22 sobreviventes do naufrágio de um navio de 12 andares que levava 30 mil vacas e carneiros para a cidade de Tartous, na Síria.
O navio panamenho Danny F II emborcou para realizar a limpeza do esterco dos animais e não conseguiu retornar à posição original. "A gente sempre lava o barco e o inclina um pouco para o lado para cair a sujeira toda para o mar. Só que desestabilizou e não conseguiram voltar ao nível normal. Aí começou o problema, cada vez inclinava mais e mais”, contou.
Após cair no mar, o gaúcho que mora em Pelotas ficou quase duas horas agarrado em uma tábua até ser socorrido. “Eu vi um clarão no céu, por causa de fogos que jogaram, e vi uma luz. Calculei que fosse um helicóptero. Quando se aproximou mais, vi que era um barco. Acendi a lanterna do salva-vidas e comecei a apitar e a gritar”.
Melo está ansioso para voltar para casa e espera poder passar o Natal e o Ano Novo com a esposa Tamires e o filho Douglas, de 11 anos. Caso tudo ocorra conforme o previsto, o assistente veterinário desembarca no Brasil na terça-feira.
Das 82 pessoas a bordo do navio, 40 foram resgatadas, 11 corpos recolhidos e 31 continuam desaparecidos. Mesmo assim, as possibilidades de encontrar outros sobreviventes do naufrágio são cada vez menores, informaram neste sábado as fontes oficiais libanesas.
Gaúcho fala sobre momentos dramáticos de naufrágio na costa do Líbano
Vitor Pinheiro Melo ficou quase duas horas no mar agarrado em uma tábua até ser socorrido