O arrombamento do portão foi realizado pelos bombeiros do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS), que empregaram ferramentas e até serra elétrica para abri-lo. No interior do prédio deteriorado e empoeirado, construído na década de 1960, restava apenas o que sobrou de um Ford Corcel com prefixo 827 da Brigada Militar; de um caminhão Mercedes-Benz e de um trator agrícola Massey Ferguson 265. Os veículos foram usados nos testes, sendo que o Corcel teria feito 11 quilômetros por litro de água em uma viagem entre Porto Alegre e Passo Fundo. Nenhum dos equipamentos e motores, que utilizariam água e álcool com combustível, foi encontrado no local.
Os segredos nunca foram revelados pelo engenheiro mecânico francês, que usou as dependências da oficina da BM para seu experimento. O projeto dele chegou a atrair a atenção do governo federal, durante a ditadura militar, e supostamente causou temor na indústria petrolífera da época. Na atualidade, o uso da água como combustível seria ecologicamente incorreto.
O comandante geral da BM, coronel Sérgio Roberto de Abreu esteve presente na abertura dos galpões. Segundo ele, o galpão será reformado para aproveitamento futuro, como uma garagem, um auditório e salas administrativas. Ele lembrou que, no mesmo pátio, será inaugurado até o final deste mês, a nova sede do Comando de Corpo de Bombeiros (CCB) da BM, que está atualmente na Estação Açorianos. Na mesma área haverá ainda uma Estação de Bombeiros Experimental, permanecendo a Escola de Bombeiros. “Um inventário está sendo realizado e o que for propriedade da BM será retomado”, explicou o coronel Sérgio Roberto de Abreu.
Em relação ao Corcel, o comandante disse que o mesmo será recuperado para fazer parte do acervo da corporação em exposição. A Procuradoria Geral do Estado (PGE), que acompanhou o ato, esclareceu que inexistia uma interdição judicial para manter o galpão lacrado por todo este tempo.