Geral

Galpões começam a ser montados na Capital para Semana Farroupilha

Chama Crioula será acesa no sábado, em General Câmara

Galpões começam a ser montados para Semana Farroupilha
Galpões começam a ser montados para Semana Farroupilha Foto : Ricardo Giusti
Os preparativos para as comemorações do Mês Farroupilha, pela passagem dos 178 anos da eclosão da revolução que durou de 1835 até 1845, estão movimentados em todo o Rio Grande do Sul. O evento, um dos maiores do Estado voltado a reviver a história e o tradicionalismo gaúcho, reúne milhares de pessoas e está com sua programação completa desde o dia 31 de julho, quando foi aprovada pela Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas. O destaque é o Acampamento Farroupilha, na Capital gaúcha, onde os galpões já estão sendo montados no Parque da Harmonia.

Em General Câmara, as atenções se voltam para a solenidade de Acendimento da Chama Crioula, marcada para o dia 17 deste mês, dando abertura oficial às comemorações. "Muitos pensam que a Semana Farroupilha está diminuindo o ritmo, porém, ao contrário, a cada ano ela vem crescendo", destacou o presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (FIGTF), Rodi Borghetti, ao revelar que o evento segue os moldes dos anos anteriores. Mesmo com poucos recursos, ele acredita que o período e a Semana serão grandiosos. "A nossa expectativa é grande, pois estamos nos encaminhando bem", garantiu.

Nesta edição, o evento iniciará no dia 16 de agosto com uma palestra sobre a vida e a obra de um Monarca, em referência ao patrono da Semana, Nésio Correa, conhecido como Gildinho. A palestra será realizada às 16h, em General Câmara.

O acendimento da Chama Crioula, no dia 17, é a atividade mais aguardadas pelos participantes, porque envolve a distribuição da Chama para as delegações e marca o lançamento da Semana Farroupilha. O evento está marcado para as 9h, quando vários piquetes de cavalarianos de diversas regiões tradicionalistas sairão com uma centelha para o acendimento dos fogões em todos os municípios.

Em Porto Alegre, a Chama Crioula chega no dia 7 de setembro, às 14h30min. Após o percurso, os cavalarianos a levam até o Parque Farroupilha, onde a Pira da Pátria estará acesa com o Fogo Simbólico. Ali se dará a união dos dois fogos e o grupo seguirá até o Colégio Júlio de Castilhos, cumprindo o ritual iniciado pelos pioneiros, liderados por Paixão Côrtes, em 7 de setembro de 1947, quando ela foi criada. Dali, a Chama segue para o Acampamento Farroupilha. No dia 14, na abertura oficial da Semana, uma centelha sairá da Chama para acender os Candeeiros Crioulos do Palácio Piratini, da Assembleia Legislativa, prefeitura de Porto Alegre, QG da Brigada Militar, Monumento Bento Gonçalves e Monumento da Maçonaria.

Programação:

Agosto:
Dia 16 - Palestra A vida e a obra de Monarca, às 16h, em General Câmara
Dia 17 - Lançamento da Semana e distribuição da Chama para as delegações, às 9h, em General Câmara

Setembro:
Dia 7 - 14h30min - Retirada de centelha da Pira da Pátria e sua junção com a Chama Crioula; às 17h a Chama Crioula chega ao Parque Harmonia, em Porto Alegre
Dia 14 - 10h - Abertura da Semana Farroupilha, com saída da Chama Crioula do Parque da Harmonia para acender os Candeeiros
Dia 19 - 21h - Desfile Temático na avenida Edvaldo Pereira Paiva
Dia 20- 8h30min - Desfile tradicionalista no mesmo local, e às 17h, extinção da Chama Crioula no Palácio Piratini e fim dos festejos

Gildinho, dos Monarcas, será  patrono

Nésio Alves Corrêa foi escolhido para representar o tradicionalismo gaúcho na Semana Farroupilha. Aprovado em abril pela Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas, Gildinho, como é conhecido, é natural de Soledade e integra um dos grupos cancioneiros de referência na música regionalista gaúcha: Os Monarcas.

O conjunto, que preserva a autenticidade da música nativista, é também a de maior longevidade, com 40 anos de história. "O grupo é considerado o mais autêntico do Estado. É liderado por um rapaz muito estudioso e de pelo menos duas qualidades: a música como profissão, e o merecimento", destacou o presidente da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, Rodi Borghetti.

Gildinho foi criado em uma família humilde e numerosa. Morava no campo ajudando os pais nas lidas campeiras. Contudo, aos 15 anos, aperfeiçoou-se na gaita, nos antigos bailes de candeeiro, para onde ia sempre a cavalo.
Em 1961, deixou a vida no interior e foi morar em Erechim, onde tornou-se músico profissional. Lá iniciou sua carreira tocando em programas de rádio e de auditório como o "Amanhecer no Rio Grande", pela Rádio Difusão, e mais tarde, o "Assim Canta o Rio Grande", onde recebeu o nome artístico de Gildinho. Com a audiência nos programas, começou a animar pequenos bailes na região. Em sua trajetória, recebeu diversos prêmios, entre eles, a Medalha do Mérito Farroupilha, Troféu Guri e indicações a prêmios nacionais, juntamente com Os Monarcas.

Paulinho é homenageado do acampamento

Compositor, músico, poeta e autor de mais de centenas de canções com temáticas regionais e boemia, Paulinho Pires, 79 anos, é o homenageado do Acampamento Farroupilha de 2013. "Turistas chegam aqui para conhecer o gaúcho e não encontram a autenticidade de cuidar da terra, a nossa maneira de ver a vida e aquilo que verdadeiramente somos. Através da música e do verso tento valorizar aquilo que gosto e saudar as coisas bonitas", afirmou, quando foi informado da homenagem. Nascido na Ilha do Cônsul, no Delta do Jacuí, Paulinho passou boa parte da infância à beira do rio e por essa razão, quando tem espaço, gosta de lembrar do seu contato com a natureza.

Já na adolescência, ganhou seu primeiro violão e pôde a partir disso realizar apresentações em diversos eventos nos municípios próximos onde nasceu. Aos 20 anos, mudou-se para Porto Alegre, onde começou a tocar com o Grupo de Arte Nativa Estância da Amizade. Admirador da natureza e das riquezas naturais do nosso Estado, ele sempre valorizou as atividades voltadas ao meio ambiente com o público infantil. "A criançada está procurando vivenciar mais aquilo que somos. Os pais e avós percorrem trilhas e fazendas do Interior, estimulando os pequenos a conhecer a nossa vida no campo", observou. A preocupação com o meio ambiente ele comprovou ao vencer na linha Temática Ambiental, a 8 Califórnia da Canção Nativa, em Uruguaiana, com a memorável Súplica do Rio, uma canção de amor às águas.

Bookmark and Share