Cerca de 30 garis e motoristas de São Leopoldo, no Vale dos Sinos, realizaram um protesto em frente ao aterro sanitário municipal, localizado no bairro Arroio da Manteiga, no final da manhã desta sexta-feira. Eles alegam que a SL Ambiental tem atrasado o pagamento dos salários. "A empresa já recebeu um depósito da Prefeitura e ainda não nos pagou. Passamos a Páscoa sem dinheiro e permanecemos assim, estamos cansados de trabalhar de graça", desabafou o gari Guilhermo Mathias.
Parte dos profissionais optaram por não trabalhar nessa manhã. O mesmo ocorreu durante a noite de quinta-feira e em razão disso, nas primeiras horas da manhã de sexta já era possível observar sacos de lixo ainda presentes em lixeiras de diversos bairros assim como o acúmulo de resíduos por algumas ruas da cidade. Conforme informações da Prefeitura de São Leopoldo, na noite de ontem dos 11 caminhões da empresa que deveriam ter trabalhado no recolhimento do lixo, apenas seis saíram da garagem.
“Não recolheram meu lixo durante a noite de quinta-feira e agora não tenho o que fazer. Já liguei para a Prefeitura e alertei eles, disseram que uma equipe deve passar até a madrugada de hoje”, afirmou a dona de casa Gabriela Wallau, que mora no bairro Rio do Sinos.
Para tentar minimizar a paralisação dos serviços, caminhões das Cooperativas de Reciclagem de São Leopoldo estão trabalhando no recolhimento dos resíduos. A ação deve ocorrer pelos próximos dias segundo o secretário municipal de Serviços Públicos, Charles Pierre.
“Até conseguimos amenizar a situação, mas o serviço vai ser prejudicado, a população já está reclamando e com razão, dó que infelizmente não podemos fazer nada juridicamente”, explicou.
Conforme o diretor da SL Ambiental, Marcelo Azevedo, a empresa não incentivou a paralisação. “Estamos conversando com os funcionários para que eles trabalhem normalmente, existe uma dificuldade financeira, mas não podemos culpar os moradores por isso, aos poucos estamos colocando as dívidas em ordem”, afirma.
Além do pagamento de R$ 400 mil, efetivado na quinta-feira pela administração municipal, que deve cobrir apenas os pagamentos de funcionários e os gastos de manutenção e combustível dos caminhões da empresa nos últimos meses, a SL Ambiental cobra dívida em atraso de R$ 38 milhões, correspondente ao valor acumulado pelo serviço prestado em 2014 e parte de 2015.
Em dezembro do ano passado ficou acordado, após audiência no Fórum da cidade, que o executivo iria quitar o valor em quatro parcelas até março de 2015, até o momento nenhum parcela foi paga integralmente. O contrato da SL com a Prefeitura está em vigor desde 2004 e vale por 20 anos. A administração municipal abriu uma sindicância investigatória para apurar o real valor devido, que segundo o executivo seria de apenas R$ 8 milhões, e também o cumprimento das cláusulas contratuais que originaram a concessão de concorrência pública vencida pela empresa.
Garis de São Leopoldo realizam protesto por atraso nos salários
Coleta do lixo é prejudicada desde a noite de quinta-feira