Crimes recorrentes em duas das sete piscinas públicas de Porto Alegre levaram o gerente-geral da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, Roberto Wagner, a defender o fechamento definitivo dos espaços. Na unidade do bairro Medianeira, o assassinato ocorrido na noite passada não é o primeiro caso de violência a preocupar professores e a comunidade. Há registros anteriores de invasões por grupos armados, ameaças a funcionários e vandalismo. O mesmo ocorre, historicamente, no bairro Sarandi, na zona Norte, que também foi fechada na quinta-feira
Mesmo com acionamento da Guarda Municipal, Brigada Militar e contratação de seguranças privados, o gestor diz não ver solução para a insegurança, principalmente à noite. “É uma situação caótica que a gente vive. Durante o dia é legal porque a gente conseguiu segurar um pouco as invasões com a segurança privada. Mas, à noite, essas piscinas viraram terra sem lei. Toda vez em que foram acionadas a Guarda Municipal ou a Brigada Militar, essas pessoas foram retiradas e, no outro dia, invadem de novo. A minha avaliação, hoje, é de que futuramente não se abra esses espaços. Não se tem como dar garantia de que o espaço vai ser inviolável. Eles são extremamente violentos, não têm código de ética nenhum”, lamenta.
O Centro de Comunidade Vila Elizabeth (Cecove), no Sarandi, não poderá ser reaberto neste verão devido aos estragos causados por um grupo de cerca de 50 pessoas que usou o local para uma festa durante a madrugada de quinta-feira. Motores novos da piscina foram danificados e dutos foram entupidos com garrafas e até cápsulas de armas de fogo, conforme os funcionários. Wagner relata que, antes da abertura da temporada, 20 adolescentes já haviam ameaçado um trabalhador contratado para tratar a água da piscina. Uma professora que acionou a Brigada Militar em uma situação parecida teve de ser transferida por medo de represálias.
No Medianeira, como não há danos à estrutura, a possibilidade de reabertura do Centro Comunitário George Black (Cegeb) ainda será avaliada pela prefeitura nos próximos dias. Roberto Wagner sugere, por exemplo, que os dois terrenos públicos passem a sediar outros tipos de atividades comunitárias, como cursos profissionalizantes. As outras cinco piscinas públicas seguem com atividades normais até 4 de março.
Veja a lista dos locais:
- Centro de Comunidade George Black (rua Coronel Neves, 555, bairro Medianeira – Fone: 3219-9836) – Fechado
- Centro de Comunidade Vila Elizabeth (rua Paulo Gomes de Oliveira, 200, bairro Sarandi – Fone: 3364-2113) – Fehado
- Centro de Comunidade da Vila Floresta (rua Irene Cappone Santiago, 290, bairro Jardim Floresta) – Aberto
- Centro da Comunidade Primeiro de Maio (rua São Nicolau, esquina com rua Camoati, s/nº, Santa Maria Goretti – Fone: 3362-6148) – Aberto
- Centro de Comunidade da Vila Restinga (rua Economista Nilo Wülf s/nº, Restinga Nova – Fone: 3250-3468) – Aberto
- Centro da Comunidade Parque Madepinho (rua Arroio Grande, 50 – bairro Cavalhada – Fone: 3241-0666) — Aberto
Gestor de piscinas públicas defende fechamento de duas unidades por violência
Corpo de jovem foi encontrado em centro na zona Sul de Porto Alegre