Geral

Governador do Rio atribui tragédia a chuvas e ocupação irregular

Sérgio Cabral falou com a presidente Dilma Rousseff e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), disse nesta manhã, em entrevista à rádio CBN, que a "tragédia anunciada" nos municípios de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na região serrana, se deveu a uma combinação da intensidade inesperada dos temporais com a ocupação irregular das encostas. "É como a gente viu ano passado em Angra dos Reis: a ocupação residencial nas últimas décadas, independente do nível social, numa área imprópria, combinada ao fator do deslizamento", disse.

Leia mais sobre as chuvas no Rio

"Houve danosamente uma ocupação nos últimos 25 anos, de maneira absolutamente irresponsável. Nós, do governo do Estado, estamos protagonizando o apoio à população, mas é evidente que desde 1988 a Constituição Brasileira diz que solo urbano é responsabilidade da municipalidade. Não pode só autorizar e proibir a construção do shopping center, do prédio formal. Tem sempre um político demagogo para fazer uma graça, dizer que é falta de respeito com o pobre, mas a gente tem que tomar uma decisão firme", afirmou, sem apontar nominalmente culpados.

"Não quero culpar prefeito A, B ou C, mas há um conceito, que vem de décadas, de permissividade na ocupação de encostas. Caso nós tivéssemos um padrão rígido de ocupação de encostas, teríamos vítimas, sim, mas não tantas. Veja o caso da Austrália: há mais de 20 mortos, mas não chega a quase 500 mortos. Não quero eximir de responsabilidade os governos federal nem estadual. Mas Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo quadriplicaram suas populações nos últimos 40 anos. A tomada das encostas nessas cidades levou a essa tragédia."

Cabral contou que falou ao telefone com a presidente Dilma Rousseff, com quem fará um sobrevoo no local, e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prestou solidariedade por conta das perdas no Estado.

Ajuda

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou o envio de 210 homens, sendo 80 bombeiros militares especialistas em resgate e 130 policiais militares, além de 15 peritos, que vão auxiliar as autoridades fluminenses na identificação de corpos. O ministro se encontrará ainda nesta manhã com a presidente Dilma na base aérea do Galeão, no Rio, para juntos acertarem detalhes da ajuda do Ministério da Justiça aos resgates na região serrana.

De acordo com nota do Ministério da Justiça, o efetivo da Força Nacional será dividido em dois grupos. O primeiro estava programado para embarcar na Base Aérea da PF de Brasília com destino ao Rio às 11h30. O segundo pelotão embarca às 13h30. A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, acompanhará os policiais na viagem. O grupo será recebido também às 15 horas na Base Aérea pelo ministro José Eduardo Cardozo.

IML do RJ tira fotos de corpos e faz catálogo para familiares encontrarem parentes

Em frente ao Instituto Médico Legal (IML), familiares dos desaparecidos esperavam angustiados por informações. Funcionários do IML estão mostrando um álbum de fotos dos corpos que estão chegando ao local. Para facilitar no conhecimento das vítimas, os funcionários estão pedindo que os familiares levem imagens que agilizem a identificação de todas as pessoas.

A filha de três anos de Gabriela Correa, que estava com o pai na região serrana, está desaparecida. "Ela estava com o pai dela e lá não tem comunicação nenhuma. Estou muito angustiada. Isso é muito triste", relatou a mãe da criança.

Durante toda a noite, a movimentação foi intensa, com seguidos caminhões do corpo de bombeiros chegando carregados de corpos. Por falta de espaço, os corpos foram colocados na garagem do IML até serem reconhecidos.


Bookmark and Share