"O Exército está no Rio de Janeiro. Não está em função desses episódios, mas da Copa das Confederações, e eles têm aqui funções específicas, mas tem, sim, um contingente a ser utilizado, se o governo do estado demandar", informou Beltrame. O secretário disse que pode convocá-los para "proteger a integridade das pessoas e o patrimônio público e privado", completou, em coletiva de imprensa.
Ao fazer um balanço dos confrontos dessa quinta entre a população e agentes de segurança, depois da manifestação que reuniu, de acordo com o secretário, mais de 300 mil pessoas no centro da cidade, Beltrame classificou a operação policial como complexa e disse que os agentes lidaram com situações e perfis de manifestantes distintos.
Rio amanhece com rastro de destruição
O centro do Rio amanheceu com muitos postes, relógios, pontos de ônibus e semáforos destruídos. Fachadas de estabelecimentos comerciais, prédios públicos e agências bancárias também foram alvo de grupos mais exaltados de manifestantes. Uma cabine da Polícia Militar (PM) foi queimada na altura da Central do Brasil, mas os destroços já foram retirados da pista.
Funcionários da prefeitura trabalham, desde o início da madrugada de hoje, na reconstrução dos equipamentos danificados e na limpeza das vias públicas. Segundo eles, os maiores problemas são os sinais de trânsito e radares da Avenida Presidente Vargas, que foram completamente destruídos. O tráfego na avenida só foi totalmente liberado às 5h, mas ainda há problemas na sinalização, o que atrapalha o trânsito na região.
No Terreirão do Samba, ponto tradicional de encontro durante o carnaval e onde os torcedores estão se reunindo para acompanhar as partidas da Copa das Confederações, funcionários faziam a limpeza do local, que foi invadido na noite passada. Os manifestantes derrubaram grades e destruíram estandes de patrocinadores, além de danificar uma parte do palco principal. Também houve pichações, com frases agressivas sobre a realização do evento esportivo.
Sem se identificar, um comerciante que trabalha no entorno da prefeitura relatou os momentos de tensão que ele e a filha viveram durante os atos de violência ocorridos na manifestação de ontem. Ele disse que se trancou na loja enquanto um grupo batia na porta.
"Estava com a minha filha, que geralmente me ajuda no fechamento do caixa. Foi horrível. Tivemos que colocar entulhos de obra na frente da porta para impedir que esses bandidos entrassem. Fiquei apavorado. Imagina se esses caras entram aqui. Eles iam nos matar", lembrou o comerciante.
Confronto deixou ao menos 62 feridos
O prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, divulgou hoje um balanço de prejuízos. Para ele, esse grupo é uma minoria que precisa ser diferenciada da população que se manifestou de forma pacífica. Mais de 300 mil pessoas protestaram por diversos motivos na Avenida Presidente Vargas. Uma pequena parte depredou equipamentos públicos e prédios privados em diversos pontos do centro. O número de feridos atendidos no Hospital Souza Aguiar chegou a 62. Três pessoas permanecem internadas, nenhuma em estado grave.
"A cidade do Rio de Janeiro, ao longo de sua história, teve um papel fundamental em diversos momentos históricos do Brasil, e isso se deu com manifestações democráticas, como nas Diretas Já. Não tenho dúvidas de que a maior parte buscava garantir essa tradição da cidade, mas grupos que são minoria acabaram marcando de maneira negativa o movimento", avaliou Paes.
Segundo a prefeitura, entre os 62 feridos estão oito guardas municipais agredidos quando manifestantes tentaram invadir a Unidade de Ordem Pública localizada no centro. O Terreirão do Samba foi "completamente depredado", de acordo com o prefeito, e o Sambódromo teve prejuízos nos setores 1 e 3. A prefeitura informou ou que foram destruídos 98 semáforos, 31 placas de trânsito, 62 abrigos de ônibus, cinco relógios, 46 placas de identificação de ruas, sete carros particulares dos guardas e 340 lixeiras. Prejuízos em prédios comerciais que foram danificados ainda estão sendo contabilizados, assim como o valor das perdas em dinheiro.