Para capacitar principalmente os profissionais da saúde a detectarem a possibilidade de suicídio nas manifestações iniciais, técnicos do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), ligado à Secretaria Estadual da Saúde (SES), do Programa de Prevenção da Violência (PPV) e professores do Mestrado em Saúde da Família da Universidade Estácio de Sá do Rio de Janeiro estiveram reunidos nesta segunda na sede do Cevs/SES para elaborar um manual de promoção da vida e de prevenção ao suicídio.
A cartilha é resultado de um projeto piloto, financiado pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Estadual da Saúde. Ela deve ajudar na capacitação dos agentes comunitários de saúde e do Programa de Saúde da Família (PSF), professores e da Brigada Militar em quatro municípios gaúchos, que aceitaram participar da iniciativa: Candelária, Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul e São Lourenço do Sul.
A previsão é de que o manual seja lançado durante a 56ª edição da Feira do Livro. Conforme a chefe do Núcleo de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da Cevs, Tânia Santos, o manual será dirigido e distribuído gratuitamente aos profissionais de diversas áreas, mas principalmente vinculados à saúde e à educação.
Dados preocupantes
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, somente em 2009, 1.151 suicídios foram registrados no Estado. Entres as Capitais brasileiras, Porto Alegre tem o mais alto índice. Proporcionalmente, cinco municípios do Interior tem os maiores níveis: Santa Rosa, Venâncio Aires, São Lourenço do Sul, Candelária e Santiago.
"Nestas cidades, a quantidade de casos destoa da média nacional e alcança patamares semelhantes aos de nações como o Japão, onde historicamente o número de suicídios é recorde", revelou o coordenador do Centro de Promoção da Vida do Estado, o psiquiatra Ricardo Nogueira. Segundo ele, toda a rede de saúde do Rio Grande do Sul está sendo capacitada para prevenir o suicídio.
Apesar de liderar o ranking de suicídios entre as capitais do país, Porto Alegre, proporcionalmente, tem índice de mortes do gênero menores em comparação com municípios do Interior. Contudo, nos quatro anos, aumentou expressivamente o número de casos entre jovens de 15 a 29 anos. A epidemia do crack e o consumo excessivo de álcool podem estar por trás da maioria dos óbitos.
Entre as principais orientações para amigos e familiares de potenciais suicidas está não ignorar as ameaças de suicídio. "Muitos pensam, erroneamente que quem deseja cometer o suicídio não avisa antes de fazê-lo. É um conceito errado. Os parentes devem perguntar ao paciente se ele já tentou ou admite fazer isso, e ajudá-lo".