Com promessa de alterar parte do secretariado ainda neste primeiro semestre de 2016 em função da possibilidade de alguns secretários concorrerem às eleições municipais em outubro, o governo do Estado não deve ampliar o número de mulheres na coordenação de secretarias. Das 19 pastas, apenas uma é ocupada por uma mulher: a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, coordenada por Ana Pellini.
Durante o lançamento do "Programa Mulher: Vida e Direitos", criado para combater a violência contra as mulheres, o vice-governador do Estado, José Paulo Cairoli (PSD), disse que a proposta de colocação de mulheres como titulares das secretarias pode até ser estudada, mas assegurou que o gênero não faz diferença em relação ao trabalho.
“Na verdade, não é a troca do gênero que muda (o tipo de trabalho). Muda a política do governador Sartori. E prova disso é o que foi feito hoje. O secretário, do sexo masculino (Cesar Faccioli, da Justiça e dos Direitos Humanos), que está fazendo uma ação para mulheres. Não é a mudança (de gênero) que vai interferir, mas de qualquer maneira isso está sendo visto”, pontuou Cairoli nesta terça-feira. O vice-governador acrescentou que a primeira-dama Maria Helena Sartori, titular do Gabinete de Políticas Sociais, também é secretária, já que o gabinete tem status de secretaria.
O governo do Estado afirmou que o "Programa Mulher: Vida e Direitos" foi criado para elaborar também o Fórum Estadual de Enfrentamento à Violência às Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas. Para a diretora do Departamento de Políticas para Mulheres, Salma Farias, que pertence à Secretaria Estadual de Justiça e de Direitos Humanos, o projeto vai permitir um crédito financeiro, ligado ao Banrisul, para que o valor seja destinado ao empoderamento das mulheres, principalmente para a realização de cursos de complementação profissional. O valor ainda não foi divulgado, mas a proposta é ligada à Rede Lilás.
Segundo a diretora, o projeto já existia no governo passado. Porém, com a falta de conclusão da regulamentação, o acesso ainda não era permitido. ”Mulheres no campo representam o maior índice de violência e são muito desassistidas”, apontou a diretora.
O evento no Palácio Piratini teve como objetivo fortalecer e consolidar os serviços de políticas públicas voltadas para o atendimento e prevenção da violência contra a mulher. Na parte da tarde, o governo vai instituir o Fórum na 21ª Festa do Peixe em Rio Pardo.
Governo do RS não deve ampliar número de mulheres na chefia de secretarias
Piratini lançou programa para combater violência de gênero