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Governo vai mudar critérios para pensões

Divisão do IPE inclui uma reformulação na legislação previdenciária e tem como foco critério de concessão

Governador José Ivo Sartori anunciou divisão do Instituto de Previdência do Estado (Ipergs) em duas autarquias nesta terça
Governador José Ivo Sartori anunciou divisão do Instituto de Previdência do Estado (Ipergs) em duas autarquias nesta terça Foto : Luiz Chaves / Palácio Piratini / CP
A divisão do Instituto de Previdência do Estado (Ipergs) em duas autarquias, IPE Saúde e IPE Prev, anunciada pelo governador José Ivo Sartori (PMDB) na manhã desta terça-feira, inclui uma reformulação na legislação previdenciária e tem como foco principal o critério de concessão de pensões. As alterações estão previstas no projeto que trata especificamente da previdência, um dos cinco que o Executivo está enviando à Assembleia Legislativa.

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O texto prevê o fim das pensões vitalícias para cônjuges com idade inferior a 44 anos. Para acabar com as pensões vitalícias foi estabelecida uma escala: quanto menor a idade, menor o tempo de pensão. Pensionistas também precisarão passar a comprovar pelo menos dois anos de união estável para poder desfrutar do benefício em caso de morte do titular.

Outra mudança é a que determina isonomia entre a situação de cônjuges femininos e cônjuges masculinos, companheiros e companheiras que comprovarem união estável mínima de dois anos. Hoje, cônjuges femininos possuem dependência econômica presumida, mas os masculinos, companheiras e companheiros precisam comprová-la. A partir da alteração, todos terão dependência econômica presumida.

As alterações são parte das adequações do Executivo às exigências do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) dos estados elaborado pela União e ao qual o governo Sartori deseja aderir. “O governo já atendeu a dois requisitos do RRF: aprovou em 2016 o aumento da alíquota de contribuição para 14%, o que está em vigor desde 1º de abril, e criou a previdência complementar, que passou a vigorar em agosto do ano passado. Na parte previdenciária, faltava a adequação a legislação que regula o benefício da pensão por morte”, explica o diretor de Previdência do Ipergs, Ari Lovera.

A proposta do Executivo estabelece ainda que o Ipe PREV passe a operar, de fato, a gestão plena das aposentadorias e pensões, de forma a promover uma normatização. Hoje, em tese, a gestão é do Ipergs, mas, na prática, ele detém a gestão apenas das pensões e as aposentadorias são descentralizadas. A Secretaria da Administração gerencia as do Executivo, e os demais poderes as suas. A mudança também cumpre orientação da Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda. Por fim, o governo prevê a criação de uma Diretoria de Investimentos para gerir os recursos dos fundos estabelecidos a partir da mudança ocorrida no sistema em 2011.

Dos outros quatro projetos, dois tratam das estruturas do IPE Saúde e do IPE Prev. Pelo menos por enquanto, em ambas as autarquias será mantida a composição paritária das diretorias executivas. O quarto projeto é específico sobre as regras dos planos de saúde e, o último, estabelece um plano de cargos e salários dos funcionários.

Atualmente o plano de saúde do Ipergs atende a um milhão de vidas, conforme a nomenclatura utilizada pelo instituto. O número inclui servidores ativos e inativos e os dependentes de ambos, além de servidores municipais de prefeituras com as quais o Ipergs mantém contratos e beneficiários do plano de assistência complementar disponível para filhos maiores de 24 anos que desejem aderir. Há 160 mil servidores aposentados. E o Ipergs paga 45 mil pensionistas.