Geral

Governo vai recorrer da obrigatoriedade do piso nacional para o magistério

Chefe da Casa Civil diz que tem tempo para verificar legalidade da decisão

Chefe da Casa Civil diz que tem tempo para verificar legalidade da decisão
Chefe da Casa Civil diz que tem tempo para verificar legalidade da decisão Foto : Claudio Fachel / Palácio Piratini / CP
 O chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, declarou que o governo recorrerá da decisão que julgou procedente a ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público para que o Estado pague o Piso nacional do magistério. Em coletiva no Palácio Piratini, ele afirmou que o governo ainda não foi comunicado oficialmente. “A sentença não aborda a legalidade do reajuste aplicado”, disse Pestana, que afirmou ter sabido da decisão pela imprensa.

Segundo Pestana, o Piratini interpreta que, pela decisão, julgada em 16 de fevereiro deste ano, o governo deve prever o pagamento do Piso nacional somente a partir de 2013, pois o orçamento do Estado para 2012 já está fechado. “Essa sentença nos dá o tempo necessário para ver a legalidade desse tipo de correção e nos dá prazo para resolver o pagamento do Piso”, disse Pestana, confirmando que o governo manterá a proposta de reajuste ao magistério que tramita na Assembleia e que deve ser votada na próxima semana.

De acordo com a sentença, o valor a ser pago é retroativo a 2009, ou seja, os professores gaúchos devem receber a diferença entre o pago pelo Estado e o valor que deveriam ter recebido se tivesse sido obedecido a lei nacional. Essa diferença, acumulada por três anos, deve gerar um passivo de bilhões de reais ao Estado. No entanto, o governo revelou que ainda não fez o cálculo desse valor. Durante a coletiva, Pestana voltou a afirmar que o governo não reconhece o Fundeb como critério de reajuste. “Nós temos o compromisso de pagar o Piso conforme o critério de correção que julgamos ser o mais adequado”, afirmou.

Disse ainda que cerca de 145 mil profissionais do magistério — dos cerca de 150 mil — já ganham o Piso nacional do ano de 2011 (R$ 1.187,97). “O problema não é a implementação do Piso, mas os efeitos que isso traz no plano de carreira”, declarou o chefe da Casa Civil. Segundo ele, 24 estados brasileiros mexeram no plano de carreira dos profissionais da educação para poder pagar o Piso nacional. Pestana comentou ainda sobre a reunião que teve com o sindicato da categoria na manhã de ontem, na qual foi apresentada uma proposta própria de calendário de pagamento do Piso. “Não tem como pagar esse valor proposto”, assegurou o chefe da Casa Civil. No entanto, o secretário disse que talvez a sentença leve o governo do Estado a reabrir o debate da questão com o sindicato da categoria.

Oposição diz que passivo vai a R$ 4 bilhões

O líder da bancada do PSDB, deputado Lucas Redecker, afirmou que a decisão judicial sobre o Piso corrobora as críticas que os oposicionistas têm feito nas últimas semanas sobre a questão salarial do magistério. Redecker disse que não entende como o governo não tem o cálculo do passivo que o pagamento do Piso nacional do magistério gerará aos cofres públicos, já que foi prometido pelos petistas durante a campanha eleitoral. “Eles tinham a fórmula mágica e, agora que estão no governo, parece que a perderam”, criticou. O deputado Giovani Feltes (PMDB) disse esperar que nas próximas eleições surjam candidatos que digam a verdade quanto ao que podem e o que não podem cumprir. “Daí o povo não é ludibriado”, manifestou o peemedebista.

O deputado João Fischer (PP) apontou que agora é o momento para o governo negociar, visando não acumular passivos ao Estado. “Está na hora de o governador cumprir o prometido durante a campanha”, salientou o líder da bancada do PP na Assembleia Legislativa. O deputado federal Nelson Marchezan Jr. (PSDB) chamou a decisão judicial de “concretização do que todo mundo já sabia”. O tucano disse que, segundo cálculo feito pelo partido, o valor do passivo, no final de 2014, chegará a cerca de R$ 4 bilhões.

Marchezan Jr. disse ainda que a única solução “saudável” para o Estado é descumprir outra promessa feita pelo PT na campanha eleitoral: mexer no plano de carreira do magistério.

Plano de carreira é inegociável

Logo após tomar conhecimento da decisão do Judiciário e imediatamente depois do término da coletiva na qual o Palácio Piratini revelou que não pagará o Piso e irá recorrer da decisão judicial, o Cpers manifestou total discordância com a possibilidade de alteração no plano de carreira da categoria, hipótese levantada pelo Executivo como condicional para atingir o Piso salarial nacional dos professores. “Se o governo mexer no plano de carreira, vai criar a maior mobilização da história do Cpers”, afirmou a presidente do sindicato, Rejane de Oliveira. Segundo ela, não mexer no plano de carreira, assim como pagar o piso nacional ao professores são promessas de campanha do governador Tarso Genro. “Temos estas promessas do governador por escrito e gravadas. Mas talvez este governo queira ficar marcado como o que mais descumpriu suas promessas de campanha”, lembrou.

A categoria espera um novo encontro para negociação do pagamento, e também, a retirada do projeto com reajuste salarial da pauta da Assembleia Legislativa do Estado. A presidente do sindicato dos professores comemorou a decisão do juiz José Antônio Coitinho, mas destacou que a importância da luta e mobilização da categoria na conquista do pagamento do Piso nacional salarial.

Bookmark and Share