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Granizo e vento causam ao menos 800 destelhamentos na região Noroeste

Instabilidade percorre o Estado na noite que antecede chegada de ciclone extratropical

Enchentes em Tapes
Enchentes em Tapes Foto : Arthur Puls
Um intenso temporal atingiu a região Noroeste e as Missões, por volta das 20h desta terça-feira. Diversos municípios registraram danos, principalmente destelhamentos por conta de vendavais e granizo intenso. Em Santa Rosa, o Corpo de Bombeiros recebeu mais de 40 chamadas em 30 minutos, a maioria por conta de danos a telhados residenciais. Cerca de 200 casas foram atingidas, de acordo com a primeira avaliação de danos. Em toda a região Noroeste, pelo menos 800 construções acabaram danificadas.

Grande parte do município está sem energia elétrica, por conta de danos à rede. Os estragos foram mais intensos no bairro Cruzeiro, conforme os bombeiros. Uma árvore tombou sobre o prédio da Justiça do Trabalho e destruiu parte de uma cerca da construção. Na cidade vizinha, de Santo Cristo, o impacto foi ainda mais intenso.

De acordo com o secretário municipal de Administração, Milton Kist, grandes pedras de gelo atingiram as casas, o que causou estragos graves nas estruturas dos telhados. A cidade inteira está sem luz e, por conta disso, ainda não foi possível contabilizar o número de atingidos.

Em Santo Angelo os Bombeiros atenderam entre 20h e 20h45min, 150 chamadas. As residências haviam sido atingidas pelo granizo ou por queda de árvores.

Em Porto Lucena, cidade junto ao rio Uruguai, outras 200 casas foram atingidas pelo granizo. Em Santo Cristo, 50 famílias tiveram os telhados comprometido e, em Cruz Alta, outras 50 seguem esperando auxílio do Estado para proteger os pertences. As cidades de Pejuçara, Chiapeta e Santo Augusto e Colorado também foram atingidas e estão parcialmente sem luz, mas os prejuízos ainda não foram mensurados.

Chuva volta com força na Capital e agrava alagamentos

Na Região Metropolitana, a chuva prosseguia no fim da noite. De acordo com a MetSul, no bairro Moinhos de Vento o acumulado chegou a 20 milímetros em 20 minutos, por volta das 22h40min. Problemas com falta de luz se espalhavam por todo o RS, chegando às dezenas de milhares de casas desabastecidas.

O Arroio Dilúvio apresentava nível muito acima do normal, às 23h50min, mas sem registros de transbordamento. Pontos críticos de alagamento eram registrados pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), na avenida Padre Cacíque e em três pontos da avenida Ipiranga: em frente à PUCRS, no entroncamento com a Érico Veríssimo e também com a Salvador França. Farrapos, Osvaldo Aranha e Voluntários da Pátria também apresentavam acúmulo intenso de água em alguns pontos.

Um novo agravamento da chuva forte na Capital causou alagamentos de vias e até invasão da água em domicílios de diversos bairros, como no Sarandi e na Tristeza, com a água chegando acima do nível das calçadas. Na Nilo Peçanha, carros enguiçaram em meio ao alagamento e tiveram de ser abandonados pelos motoristas.

Ciclone do Rio da Prata deve trazer mais estragos na quarta-feira

Não bastasse a imensa quantidade de chuva que ainda cai sobre o RS nesta terça, a quarta começa sob temporais, vento e granizo na Metade Norte, alguns severos e destrutivos ainda na madrugada conforme a MetSul. Durante o dia a chuva mais forte se concentra no Extremo Sul e diminui nas demais áreas, podendo ocorrer melhoria, talvez com aberturas de sol, nas Metades Oeste e Norte. A pressão atmosférica despenca abaixo de 1000 hPa por conta de ciclone no Rio da Prata que traz vento forte a intenso, além de esfriamento à noite.

A terça registrou mais de 100 milímetros de precipitação em horas na Metade Sul, e violentos temporais à noite de vento e granizo no Noroeste. Choveu entre 250 e 300 milímetros desde sábado entre Camaquã e Tapes, um dos maiores episódios de chuva em décadas na região. A maior preocupação, porém, será o ciclone no Prata. O Uruguai e as Metades Sul e Leste do Rio Grande do Sul serão as áreas mais afetadas pelo vento. No Uruguai, as rajadas mais fortes podem variar entre 120 e 140 km/h, condição que pode ser anotada ainda na área entre Hermenegildo e o Chuí. Região Sul que registrou, na terça, dezenas de famílias desalojados ou isoladas por conta da cheia de rios e quedas de pontes, como em Tapes e Camaquã.

O Litoral Sul gaúcho será a parte do Estado mais castigada. Em Porto Alegre, o vento deve se situar entre 70 e 90 km/h com rajadas superiores. O fenômeno pode trazer queda de muitas árvores, postes e placas. São esperados graves problemas no abastecimento de energia com cortes de luz que, não seria exagero estimar, poderiam atingir centenas de milhares de pessoas. Não se recomenda navegar nas lagoas e na costa pelo alto risco de naufrágio.

Com informações da Rádio Guaíba e MetSul Meteorologia.


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