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Greenpeace protesta em frente à sede da Chevron

Desde a semana passada, ocorre vazamento de óleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro

Greenpeace faz manifestação em frente à sede da Chevron contra vazamento
Greenpeace faz manifestação em frente à sede da Chevron contra vazamento Foto : Wilton Júnior / AE / CP
Ativistas do Greenpeace fizeram nesta sexta-feira um protesto em frente à sede da Chevron Brasil, no Rio de Janeiro, contra o vazamento de petróleo no Campo de Frade, que ocorre desde a semana passada. Os manifestantes, com uniformes da empresa, derramaram tinta preta em frente ao prédio, simbolizando o óleo vazado.

Também foram pintadas pegadas de animais no chão, para lembrar como o vazamento de óleo poderá prejudicar a vida animal, na costa fluminense. Segundo a coordenadora da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, Leandra Gonçalves, a empresa petrolífera foi negligente e não transparente no episódio.

“Estima-se que o vazamento ocorrido no Campo do Frade seja maior do que o imaginado pela empresa. Desde o início, a empresa faltou com transparência nas informações e no diálogo com a sociedade. A falha geológica [por onde ocorre o vazamento] já deveria ter sido prevista no estudo de impacto ambiental. Medidas de contenção deveriam ter sido prontamente realizadas”, ressaltou.

Segundo a ativista, a exploração de petróleo na costa brasileira coloca em risco a fauna marinha. Com as atividades na camada pré-sal, a expectativa é que o risco de acidentes aumente. A Chevron Brasil não se pronunciou sobre a manifestação de hoje. Em nota divulgada ontem, a empresa informa que está adotando todas as medidas para fechar o poço, monitorando a mancha de óleo e trabalhando junto com autoridades brasileiras

PF vai intimar representantes da Chevron para explicar vazamento


O delegado da Polícia Federal Fábio Scliar, chefe da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, vai intimar hoje pelo menos seis diretores da Chevron para depor na semana que vem sobre o vazamento de óleo na Bacia de Campos. A multinacional é responsável pela exploração de petróleo em um poço no Campo de Frade, a 183 quilômetros da costa fluminense.

“Não há qualquer dúvida de que o crime ocorreu. O derramamento é oriundo da atividade de perfuração. O que me interessa agora é delimitar responsabilidades. É saber quem era o responsável. Alguns dos envolvidos estão embarcados, por isso precisamos esperar que eles sejam rendidos para que possam sair de lá.”

O delegado, que instaurou o inquérito há dois dias, também vai investigar se os equipamentos usados no Campo de Frade são obsoletos e se houve perfuração além do que estava previsto no contrato de exploração. “Na plataforma, alguém deixou escapar que haviam perfurado 500 metros a mais do que deviam e talvez seja essa a causa dessa rachadura no solo. O que gera estranheza é que eles estavam perfurando a 1,2 mil metros de profundidade e quando ocorreu o problema eles baixaram uma sonda para filmar o acontecido que não chega a 1,2 mil metros de profundidade”, explicou o delegado.

Vazamento de óleo está na rota de baleias e golfinhos, alerta Minc

O secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, disse nesta quinta-feira que acompanha com preocupação os desdobramentos do vazamento de petróleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, norte do estado. A responsabilidade pela exploração da área é da empresa Chevron Brasil Upstream. De acordo com Minc, a região faz parte da rota migratória de baleias, como a jubarte, e golfinhos, que podem ser prejudicados.

“Estamos realmente preocupados. Nesta época do ano, esses animais vêm do norte para o sul em busca de local para reprodução e de um tipo de camarão, do qual eles se alimentam. Além disso, há um fenômeno natural chamado corrente rotor, que é perto da região do acidente e que, como um liquidificador, leva o que chega ali para perto de Arraial do Cabo e de Búzios [municípios do litoral norte do estado do Rio]”, explicou ele.


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