A greve nacional dos médicos residentes provocou, na últimas 48 horas, cancelamentos de consultas agendadas em Porto Alegre. Os transtornos atingem principalmente o Hospital de Clínicas, onde, de acordo com a assessoria da instituição, dezenas de atendimentos foram reagendados ao longo desta sexta-feira. O local conta com mais de 400 profissionais residentes e a estimativa é de que 90% deles tenham paralisado as atividades.
Na emergência do Clínicas, a espera também é maior para a população. Médicos e enfermeiras foram proibidos de conceder entrevistas, mas funcionários relataram informalmente à Rádio Guaíba que notam desde terça - quando a greve começou -, movimento ainda mais elevado de pacientes. No final da tarde de hoje, 130 pessoa estavam no local, que tem apenas 49 leitos.
A situação ficou ainda mais crítica em razão das superlotações registradas nesta semana nos hospitais São Lucas da PUC e Santa Casa. “Como os residentes auxiliam em procedimentos no SUS (Sistema Único de Saúde), a demora começa a ficar maior e, inclusive, cirurgias estão sendo remarcadas”, confirma o presidente da Associação Nacional da categoria, Níveo Moreira.
Conforme o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), na Capital a adesão à greve também é expressiva no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), no Complexo Santa Casa e no Instituto de Cardiologia. O sindicato informou ainda que, no Interior, o apoio a paralisação é maior em hospitais de Rio Grande, Caxias do Sul, Passo Fundo e Santa Maria.
As negociações entre o governo federal e os residentes para encerrar a paralisação emperraram. A categoria, indignada com o congelamento das bolsas-auxílio desde 2006, exige reajuste de 38%. Nesta semana, o governo ofereceu aumento de 20%, mas a proposta foi recusada, o que manteve a paralisação por tempo indeterminado. “Queremos com a greve, valorizar a residência médica, e assim, qualificar o atendimento à população”, defende Moreira.
Greve de residentes cancela consultas em Porto Alegre
Transtornos atingem principalmente o Hospital de Clínicas