Grande parte das agências bancárias não abriu nesta terça-feira em função da greve da categoria. A mobilização nacional por melhores salários e condições de trabalho não tem prazo para acabar. “Vai depender da boa vontade dos bancos”, afirmou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, se referindo à possibilidade de aumento da proposta de 7,35% para todas as verbas salariais e 8% nos pisos. Os índices foram rejeitados em assembleia. Conforme o dirigente, houve 80% de adesão ao movimento nas instituições privadas e aproximadamente 70% na Caixa Econômica Federal e no Banrisul. Até o final da manhã, não havia informação sobre a adesão no Banco do Brasil (BB). Na pauta da classe, está o pedido de 12,5% de reajuste salarial e piso de R$ 2.979,25, além de outras demandas.
A agência do BB localizada na rua Sete de Setembro estava fechada. Ciente da greve, o comerciante Francisco dos Santos, 51 anos, foi ao local preparado para fazer os pagamentos pelo terminal eletrônico. “Pela internet, eu não sei fazer as operações. O problema é que não consigo fazer os depósitos”, reclamou. O diretor da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeira (Fetrafi), Gerson Marques, ressaltou que além dos itens defendidos em âmbito nacional, como reajuste, a classe reivindica no Estado a retomada das negociações sobre o Plano de Carreira e o fim das exigências de meta.
A aposentada Cirlene Oliveira, 55 anos, não sabia da greve e deparou-se com a agência central da Caixa Econômica Federal em Porto Alegre fechada. “Eu queria informações sobre financiamentos de imóveis”, explicou. Agora ela terá que esperar, mas não se importou com a falta de atendimento. “A greve é um direito e a categoria deve saber o motivo do movimento”, ressaltou.
Meios alternativos para pagar contas
A diretora do Procon-RS, Juliana Teixeira Soares, alertou que, independente da greve, os clientes têm responsabilidade de pagar suas contas. “É importante frisar que a data de vencimento fica inalterada. Dessa forma, orientamos o consumidor a quitar seus débitos, já que a paralisação não inviabiliza a cobrança das contas”, disse.
A opção é usar os meios alternativos, como caixas eletrônicos e internet, para evitar juros e outras consequências como uma inscrição em cadastro negativo. “Caso o consumidor venha a buscar uma lotérica, um auto-atendimento e não consiga fazer uso da ferramenta apresentada pelo banco, deve guardar provas para cobrar o prejuízo posteriormente”, esclareceu.