Cerca de um terço das escolas estaduais de Porto Alegre é afetado pela greve dos professores e pelas ocupações de alunos. Nas 258 instituições da Capital, seis aderiram totalmente à paralisação proposta pelo Cpers/Sindicato. Conforme a 1ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), outras 58 estão parcialmente em greve. Além disso, mais 24 escolas tinham registro de ocupação até às 18h desta quarta-feira.
Em Gravataí, na abrangência da 12ª CRE, das 170 escolas, há três sem atividades e 10 em greve parcial. Mais quatro escolas seguem ocupadas por alunos na região: três em Viamão e uma em Cachoeirinha.
A reportagem não conseguiu obter levantamento das demais coordenadorias pesquisadas no entorno da Capital – São Lepoldo, Guaíba e Canoas. Nas duas primeiras, havia expediente interno e, na terceira, a responsável não podia atender a imprensa. Cpers/Sindicato e Secretaria Estadual da Educação declaram que estão fazendo o acompanhamento, mas sem divulgar o número de escolas que aderiram à greve do magistério.
Greve no magistério
Há três dias em greve, os professores exigem que o secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes, participe da próxima discussão, sem data definida. O primeiro encontro, com o secretário em exercício de Educação, Luis Alcoba, e o chefe da Casa Civil, Marcio Biolchi, terminou sem apresentação de qualquer proposta.
Para cogitar o encerramento da greve, o Cpers exige que o Executivo retire propostas que podem reduzir ainda mais os salários atuais dos educadores. A entidade admite que o percentual de reajuste é negociável. No entanto, uma medida do Executivo preocupa o magistério: a comissão criada para analisar pedidos de reenquadramento de professores em escolas de difícil acesso. Conforme a presidente do Cpers, Helenir Schürer, a ação é uma manobra do governo que pode reduzir remunerações dos professores.
A expectativa do sindicato é de que nova reunião, com o representante da Fazenda e o retorno do titular da Educação, Vieira da Cunha, seja marcada antes do feriado de Corpus Christi, em 26 de maio. Até lá, o Cpers organiza mutirões para visitar as escolas ocupadas por alunos e prestar apoio à mobilização estudantil.
Passa de 80 o total de escolas ocupadas no RS
O número de escolas ocupadas já chega a 81, segundo o levantamento mais recente do movimento Ocupa Tudo RS. Em Porto Alegre, são 24. As demais cidades com registro de ocupação são Ametista do Sul (1), Bagé (2), Caçapava do Sul (1), Cachoeirinha (1), Carazinho (1), Canguçu (1), Canoas (1), Caxias do Sul (2), Cruz Alta (5), Charqueadas (1), Esteio (1), Guaíba (1), Guaporé (1), Ijuí (1), Montenegro (1), Não-Me-Toque (2), Novo Barreiro (1), Novo Hamburgo (2), Osório (1), Palmitinho (1) Pelotas (3), Passo Fundo (7), Rio Grande (8), Santo Ângelo (1), São Gabriel (1), Sapucaia do Sul (1), São José do Norte (1), Taquara (1), Venâncio Aires (1), Vera Cruz (1), Veranópolis (1) e Viamão (3).
Em nota, o governo garantiu que não pretende tratar as ocupações como “caso de policia”. A condição é que os manifestantes mantenham acesso livre aos professores, funcionários e colegas que não participem do movimento. A pasta da Educação também garante estar buscando o diálogo para atender às reivindicações, “na medida do possível”.
Greve dos professores e ocupações afetam 1/3 das escolas de Porto Alegre
Em todo o RS, 81 instituições estão ocupadas por alunos e familiares