A greve geral anunciada pelas centrais sindicais deve paralisar diversos serviços essenciais, inclusive o transporte público em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Os metroviários já garantiram que não haverá trem durante esta sexta-feira, mas os rodoviários afirmaram que irão trabalhar normalmente. Apesar da afirmação dos rodoviários, sindicatos garantem que impedirão a saída dos coletivos, com a formação de piquetes nas mais de 10 garagens de ônibus.
As mobilizações são em protesto contra as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo governo de Michel Temer. Trabalhadores de diversas categorias estão anunciando paralisação para hoje. O comércio pode não funcionar, os bancos estarão fechados, os trens ficarão parados e os servidores municipais também estarão com as atividades paralisadas.
Conforme a CTB, o dia será marcado por intensa mobilização das entidades sindicais em Porto Alegre, na Região Metropolitana e no interior do Estado. Vários piquetes vão se espalhar por todos os pontos da Capital, desde a madrugada de hoje. Ao meio-dia está marcada uma concentração no Largo Glênio Peres. Para o secretário geral da Contraf-CUT, Carlos de Souza, a greve geral é um momento histórico de luta da classe trabalhadora contra o ataque aos direitos. De acordo com o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Estado (CTB-RS), Guiomar Vidor, a orientação para quem não for participar da greve é que não saia de casa.
TRT-RS garante funcionamento da Trensurb
O vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), desembargador João Pedro Silvestrin, no exercício da presidência da Seção de Dissídios Coletivos, deferiu liminar, nesta quinta, determinando o funcionamento do Trensurb nos horários de pico desta sexta-feira, Conforme a decisão, o Sindimetrô-RS deve manter número suficiente de trabalhadores para a manutenção dos serviços nos períodos das 5h30min às 8h30min e das 17h30min às 20h30min. A liminar também fixa multa de R$ 15 mil por horário de pico em que houver descumprimento da decisão, valor a ser revertido ao Hospital de Pronto Socorro.
Confira a situação dos serviços:
Trensurb
Os metroviários do Rio Grande do Sul, ligados ao Sindimetrô-RS, garantiram que os trens não devem circular durante a sexta-feira em nenhuma estação da Trensurb.
Ônibus
Os ônibus que fazem o transporte público da Capital devem operar normalmente nesta sexta-feira. Conforme o Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre, a categoria não quis aderir ao movimento. Em contrapartida, o diretor estadual da CUT, Alceu Weber, afirma que haverá bloqueios em todos os portões das garagens da Capital e Região Metropolitana impedindo a saída dos coletivos.
Bancos
O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, confirmou que a categoria decidiu aderir à greve geral. O presidente disse, ainda, que os bancários não temem corte do ponto. Ele sustenta que é melhor paralisar um dia do que perder direitos adquiridos.
Escolas
O Cpers-Sindicato irá participar dos atos agendados para esta sexta-feira. Com isso, não haverá aulas na rede estadual. Entretanto, isso depende da mobilização da categoria. Na rede municipal, o Simpa também vai aderir à greve. Os professores prometem participar das mobilizações. O Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro), por meio de votação on-line, deliberou por participar da greve. Já o Sindicato do Ensino Privado (Sinepe-RS) orienta que as instituições de ensino avaliem as condições de sua localidade para decidir sobre o seu funcionamento ou não. O Sindicato salienta o compromisso com o cumprimento do calendário escolar e dos dias letivos.
Comércio
O Sindicato dos Empregados do Comércio de Porto Alegre (Sindec) comunicou sua adesão à greve geral nesta sexta-feira. De acordo com o diretor de Assuntos de Formação Sindical do Sindec, Marcelo Avencurt Furtado, “o Brasil vai parar” e, por essa razão, “as lojas não vão abrir”. A base do Sindec na Capital é formada por 90 mil trabalhadores. Em contrapartida, a Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV) orientou o comércio do RS a funcionar normalmente nesta sexta-feira. Conforme o presidente da AGV, Vilson Noer, mais um dia sem abrir as lojas vai gerar um prejuízo ainda maior para o setor, que já vem demitindo em razão da queda das vendas, além de trazer dificuldades para as pessoas fazerem compras essenciais e se locomoverem.
Justiça do Trabalho
A Justiça do Trabalho da 4ª Região decidiu suspender os expedientes interno e externo nesta sexta-feira. Também foram suspensas audiências e sessões, e o curso dos prazos processuais e regimentais, em primeiro e segundo graus de jurisdição. As medidas urgentes vão ser atendidas em regime de plantão.
Greve geral deve paralisar serviços em Porto Alegre
Trensurb, bancos e comércio devem ter manifestações de trabalhadores