Segundo o presidente do Sicepot-RS, Nelson Sperb Neto, que representa o setor, há risco de demissões caso a questão não seja resolvida. “Existe um medo muito grande de que ocorra o não pagamento dos serviços já executados de maio, junho e julho. Paralisando as obras, com certeza as demissões ocorrem imediatamente”, afirmou.
A paralisação dos trabalhadores interrompeu a medição e a fiscalização dos trabalhos executados. Com isso, as empresas deixaram de ser remuneradas há mais de dois meses pelos serviços executados em rodovias federais. Conforme Sperb Neto, o montante no Rio Grande do Sul é de R$ 100 milhões para cada mês. “Não foram nem medidos, quanto mais faturados e posteriormente pagos”, observou. “As construtoras estão com medo do problema de fluxo de caixa”, completou o presidente do sindicato.
Mesmo assim, de acordo com Sperb Neto, não há obras paradas neste momento devido à greve. A construção da BR 448 (Rodovia do Parque), a duplicação da BR 386 e da BR 116 e o contorno de Pelotas. “Todas elas estão andando num ritmo muito forte. Exatamente por isso estamos mais preocupados”, salientou. O contrato para a duplicação da BR 290, entre Pantano Grande e Eldorado do Sul, ainda não foi assinado devido à greve dos servidores.
“Paralisar custa dinheiro”
Enquanto a greve não chega ao fim, os empresários do setor buscam alternativas para não interromper as obras. “Amanhã (terça-feira) vou conversar com as empresas para saber qual é o limite, digamos assim, financeiro que elas podem aguentar ainda”, disse Sperb Neto. “Para nós, paralisar custa dinheiro. É uma decisão muito difícil.”
Em um informe divulgado à imprensa, a Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor) coloca as obras das BRs 116, 392 e 448 entre as rodovias com risco de ter os trabalhos paralisados. Em todo o país, conforme a entidade, as empresas já deixaram de receber cerca de R$ 1 bilhão.