Segundo Paulo Bernardo, entre 23% e 25% dos trabalhadores dos Correios estão parados. “Estamos negociando. Mas estamos também mostrando para eles que não temos condição de dar o reajuste no nível que eles pedem. Tem casos em que estão pedindo 100% de reajuste. Queremos mostrar as possibilidades que temos. Estamos oferecendo aumento real, acima da inflação”.
O ministro comentou o fato dos Correios ter o monopólio do serviço no País assegurado pela Constituição, e disse que isso não caracteriza um problema, mas “dá uma responsabilidade grande” à empresa.
“Se só eu posso entregar a carta, não posso pegá-la e ficar com ela na gaveta ou no malote. Tenho que dar um jeito de entregá-la”, disse Paulo Bernardo, lembrando que os Correios fizeram mutirões no último final de semana para que parte das correspondências em atraso pudessem ser entregues a seus destinatários.
Grevistas fazem manifestação em frente ao Ministério das Comunicações
Um grupo de trabalhadores dos Correios fez um enterro simbólico, na tarde desta terça-feira , para protestar contra a falta de negociação com o governo sobre o reajuste salarial da categoria. Em greve desde a última quarta-feira, eles se reuniram em frente ao Ministério das Comunicações. Além de um carro de som, os funcionários da estatal levaram para a manifestação um caixão com flores e as fotos do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e do presidente dos Correios, Wagner Pinheiro.
“Já que eles não querem conversar com a gente, vamos enterrá-los. Só vamos desenterrá-los quando abrirem as negociações”, disse o diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect), José Gonçalves de Almeida. Segundo ele, os trabalhadores estão reunidos em assembleias em vários estados para debater os rumos das negociações.
De acordo com os Correios, nessa segunda-feira a adesão dos trabalhadores à paralisação caiu para 23% — até a última sexta-feira, estava em torno de 30%. Com isso, agora a empresa tem 77% do efetivo trabalhando. Já a Fentect estima que 70% dos 109 mil empregados da estatal estejam parados.
Segundo a empresa, com a queda na adesão e o mutirão feito no final de semana para entrega de objetos postais, os Correios conseguiram aumentar a porcentagem de carga que esta sendo entregue em dia, que passou de 60% para 65%.