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Gripe A volta a assustar o Rio Grande do Sul

Pandemia em 2009, vírus tem grande circulação novamente este ano e desafia autoridades

Grupo prioritários para vacinação dividem opiniões
Grupo prioritários para vacinação dividem opiniões Foto : Mateus Bruxel / CPMemória
Quatro anos após a mais recente pandemia mundial, a gripe A (H1N1) ainda desafia as autoridades e deixa um rastro de mortes. Apesar dos números neste ano serem menores do que os registrados em 2009, o alerta segue em relação à gravidade da doença. Até agora, foram contabilizadas 15 mortes apenas no Rio Grande do Sul, superando o total de óbitos em função do vírus no ano passado (14). Enquanto isso, se somados os números de Santa Catarina e Paraná, são 74 óbitos na região Sul. O crescimento da letalidade abre debate sobre dificuldades de controlar a doença.

Um dos pontos em debate é o nível de vacinação da população. De acordo com o ex-secretário estadual da Saúde e deputado federal Osmar Terra, o ideal seria a imunização total, sem restrição por faixa etária. Mesmo reconhecendo que a medida é difícil, ele defendeu que no mínimo os mesmos grupos vacinados em 2010 deveriam ser mantidos. Naquele ano, foram imunizados os idosos, as gestantes, as crianças com entre 6 meses e 2 anos, profissionais da saúde e indígenas (todos esses ainda integram a campanha nacional) e mais os adultos entre 30 e 39 anos.

“Esse grupo precisou ser imunizado porque verificamos o crescente número de óbitos nesta faixa etária em 2009. Além disso, com essas zonas vacinadas, foi possível interromper a circulação do vírus e não foi registrada nenhuma morte naquele ano no Estado”, lembrou Terra, que estava à frente da secretaria nos dois primeiros anos da circulação do vírus. Em 2012, no Estado, dos 15 óbitos, dois pacientes tinham idade entre 30 e 39 anos, o representa 15,38%.

Em relação à quantidade de doses disponibilizadas, um dado chama a atenção. Em 2010, apenas no Rio Grande do Sul foram imunizados 5 milhões de gaúchos. Em 2012, o número de doses deverá ficar em 50% desse resultado. Com o aumento no número de mortes, o governo do Estado conseguiu com o Ministério da Saúde mais 500 mil doses, divididas em dois lotes, e assegurou outras 100 mil, que deverão chegar nos próximos dias.

Além disso, o secretário estadual da Saúde, Ciro Simoni, segue conversando com gestores de outros estados para conseguir mais doses. “A questão é que não há vacinas para toda a população, destinadas apenas para os grupos de risco, mas existe a medicação necessária para ser concedida a toda a população que tiver os sintomas de gripe.”

RS defende vacinação a partir de março

O governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria Estadual da Saúde (SES), solicitará ao Ministério da Saúde mudanças nas regras de vacinação contra a gripe em 2013. A ideia, adiantou o titular da Pasta, Ciro Simoni, é de que a imunização comece mais cedo no Rio Grande do Sul, ainda em março. Além disso, a intenção é que ela se mantenha por um tempo maior.

Outro pedido será em relação ao número de doses, para que o público imunizado possa vir a ser ampliado de acordo com a necessidade. As estratégias têm como base evitar que a doença provoque um número maior de mortes e até mesmo reduzir a sua transmissão. As vacinas são compradas pelo Ministério da Saúde e repassadas para os estados, que destinam aos municípios.

“Entendemos que o Rio Grande do Sul precisa ter uma cobertura de vacinação maior. No ano passado, já enfrentamos dificuldades, porque, apesar da pressão, o Ministério da Saúde não tinha mais doses e não havia como comprá-las”, afirma o secretário da Saúde. Ciro Simoni enfatiza ainda que a produção de vacinas é limitada no mundo.

Ele lembra que é preciso mobilizar de maneira mais contínua a população para que esteja atenta à prevenção, uma vez que o inverno no Estado é mais rigoroso, assim como em Santa Catarina e no Paraná.

Quem não integra os grupos de risco enfrenta ainda outra dificuldade, que é a de conseguir imunização em clínicas particulares. A maioria dos estabelecimentos situada em Porto Alegre, por exemplo, não tem mais vacina disponível.
Mesmo com as novas encomendas feitas pelas empresas, a fila de espera chega a algumas semanas em determinadas clínicas particulares. Há um mês, mesmo antes do anúncio dos casos de morte no Rio Grande do Sul, os estoques já estavam lotados. O preço também não é baixo, podendo variar entre R$ 60,00 e R$ 80,00.

Confira a conduta que deve ser adotada para evitar o contágio (conforme a SES):

- Higienizar as mãos com frequência;
- Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
- Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
- Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
- Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
- Não partilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal;
- Evitar aperto de mãos, abraços e beijo social;
- Reduzir contatos sociais desnecessários e evitar, dentro do possível, ambientes com aglomeração;
- Ventilar os ambientes.


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