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Grupo de presas é tema de evento em SP

Seis detentas formam o grupo Costura Liberdade e produzem vestuário para o Hospital Conceição

Um dos grupos de detentas que trabalham na Penitenciária Feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre, será tema em um evento que ocorre no Anhembi, em São Paulo, até sexta-feira. A 8ª Expo Brasil Desenvolvimento Local mostrará a experiência da Madre Pelletier, onde seis detentas formam o grupo Costura Liberdade e produzem vestuário para o Hospital Conceição. São feitas máscara cirurgicas, aventais, entre outras peças. A cada três dias trabalhado, as presidiárias tem reduzidos um dia na pena. O grupo faz parte da Rede Industrial de Confecção Solidária (Rics). Pelo trabalho, as presas, de acordo com a Superintendência dos Serviços Penitenciário (Susepe), recebem 75% do salário mínimo regional.

Experiências de vida não faltam. No regime semiaberto desde abril, uma detenta de 32 anos sai todas as manhãs do albergue, no bairro Partenon, para a Cooperativa Semente, onde auxilia no corte dos tecidos que serão redistribuídos para os demais núcleos da Rics. O trabalho termina no fim da tarde, quando tem de retornar à casa prisional. Encarcerada por 3 anos e 11 meses após condenação por tráfico de drogas, foi lá que ela aprendeu o ofício. "Me deram aquela esperança de ter o que fazer depois de sair, e é isso que já está acontecendo", conta.

Dentro da penitenciária, as presas confeccionam cerca de 800 peças por dia. Um das detentas orgulha-se em dizer que para elas não "há tempo ruim". Sem falsa modéstia, ela afirma que o grupo é muito bom e pode tocar qualquer produção. "A gente parece mais uma família", compara a presidiária. "Nós nos ajudamos, uma ensina a outra, tanto que às vezes nos sentimos até livres aqui dentro", afirma. Para ela, o trabalho desenvolvido pelo grupo demonstra que a geração de oportunidades é um caminho viável para superar o passado de violência. "Quero continuar costurando quando sair daqui, inclusive estou economizando para comprar as máquinas".