A paralisação dos caminhoneiros conquistou o apoio de agricultores no Rio Grande do Sul. Em diversos municípios do Estado, os produtores participam levando tratores e pulverizadores para bloquear rodovias. “Estamos apoiando por ser um movimento pacífico”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cruz Alta, Airton Becker. Manifestações semelhantes ocorreram em Espumoso, Selbach, Ibirubá, Guarani das Missões, Giruá, Panambi, Júlio de Castilhos, Palmeira das Missões, Ijuí, Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires.
Segundo o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, os sindicatos de trabalhadores rurais foram liberados a participar porque os produtores têm pautas em comum: pedágio, estradas, acessos e óleo diesel. “Ao mesmo tempo, as paralisações estão se estendendo demais e começando a trazer perdas grandiosas”, pontua. Como exemplo, cita o caso dos produtores de leite. Por isso o pedido aos caminhoneiros é que liberem a passagem de cargas vivas, leite e veículos com alimento para os animais. O presidente da Aprosoja, Décio Teixeira, disse que a entidade considera a reivindicação justa, mas pontua que é preciso bom senso para enxergar o prejuízo. “É momento de conversar e avaliar”, sugere. Ontem, no Vale do Rio Pardo, na maior parte do dia transportadores de leite, carros de passeio, ônibus e ambulâncias tiveram a passagem liberada.
Em Não-Me-Toque, os organizadores da Expodireto Cotrijal, que se inicia em 9 de março, trabalham para evitar transtornos. A chegada de caminhões de montadoras e empresas está atrasada. Até o momento, foi montado de 30% a 35% das estruturas. “Não temos hora para trabalhar”, disse o coordenador administrativo do parque, Marlon Lauxen. Ele reconhece que o andamento está defasado em relação ao ano passado, quando na mesma época já estava entre 50% e 55%. “Vamos trabalhar 24 horas, se for preciso”, completou o presidente da Cotrijal, Nei Mânica.
A CNA manifestou apreensão com os efeitos do movimento. “Na ausência de uma rápida solução para o conflito, teremos danos irreparáveis à economia da produção com reflexos severos na vida de toda a população”, informou em nota.
Grupo de produtores rurais do RS apoia a paralisação dos caminhoneiros
Pautas em comum com categoria motivaram adesão aos protestos