• Mercado Público já resistiu a outros três incêndios e uma enchente
O vice-prefeito Sebastião Melo destacou três medidas emergenciais adotadas hoje, durante a avaliação dos prejuízos causados pelo incêndio. Segundo ele, foi autorizada a aquisição de cobertura provisória, que será feita sem licitação para substituir o telhado e proteger o interior do prédio. O município também poderá arcar com os custos de um gerador de energia. Os comerciantes acreditam que poderão voltar a trabalhar em uma semana nas áreas menos danificadas.
“Estamos cobrando celeridade da Smov na conclusão de laudo técnico sobre os abalos da estrutura”, afirmou. A prefeitura aguarda a liberação das perícias do IGP e da seguradora contratada pela Smic para resguardar o prédio em caso de sinistro. Somente depois disso será possível iniciar a limpeza definitiva do prédio (estimada em sete dias). O trabalho será feito pelo DMLU e a Smov.
Os próximos passos serão a elaboração do laudo técnico da Smov (prazo estimado em até 15 dias) e do projeto provisório para a cobertura. Em seguida será feito o projeto definitivo para o telhado. O GT também aguarda um parecer da CEEE sobre a subestação de energia.
Fazem parte do GT as secretarias municipais de Obras e Viação (Smov), Produção, Indústria e Comércio (Smic), Cultura (SMC) e Urbanismo (Smurb). O GT foi desmembrado em dois subgrupos, o primeiro será responsável pelo laudo estrutural da parte afetada do prédio e o segundo irá fazer o Termo de Referência.
O Mercado Público
Inaugurado em outubro de 1869, o Mercado Público de Porto Alegre foi criado para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. O local foi tombado como bem cultural em 1979 e passou por um processo de restauração entre os anos 1990 e 1997, o que garantiu ao lugar um espaço maior aos estabelecimentos comerciais, mas sempre manteve a concepção arquitetônica original.
O incêndio desse sábado não foi o primeiro enfrentado pelo Mercado Público. Em 1912, um sinistro destruiu os chalés internos. Em 1941, uma enchente atingiu o local e, 38 anos mais tarde, mais dois sinistros destruíram as dependências do estabelecimento que serve como cartão postal de Porto Alegre. O prédio chegou a ser ameaçado de demolição durante a administração de Telmo Thompson Flores. Na época, era cogitada a construção de uma avenida na área.
Na década de 90, quando passou por reforma, o Mercado Público recuperou a percepção visual das arcadas. O trabalho resgatou as circulações internas, criou novos espaços de convivência e implantou redes de infraestrutura compatíveis com o funcionamento do prédio. A nova cobertura que possibilitou a integração entre o térreo e o segundo pavimento.
No segundo pavimento, onde antes existiam escritórios e repartições públicas, diversos estabelecimentos como restaurantes e lancherias passaram ocupar o espaço e ganharam um lugar no Mercado Público.
Com nova infraestrutura, o cartão postal de Porto Alegre ganhou também um Memorial, além de duas escadas rolantes e dois elevadores. O custo da reforma ficou, na época, em R$ 9 milhões, sendo, 88% do orçamento da Prefeitura, e os demais 12% pelo Fundo Municipal do Mercado Público e doações diversas.