O gramado em frente ao Congresso vai sendo tomado aos poucos pelos pessoas, muitos delas portando cartazes e pedindo melhorias no sistema de saúde e o combate à corrupção. Mais cedo, centenas de bolas de futebol foram chutadas em direção ao prédio que abriga a Câmara e o Senado. As 594 bolas pintadas com cruzes vermelhas haviam sido colocadas pela manhã por manifestantes da ONG Rio de Paz., representando o número de parlamentares e o luto pela atuação do Congresso.
São vários os protestos agendados para hoje, um deles, o Dia do Basta, que ocorre simultaneamente em outras cidades brasileiras. Para a estudante Amanda Caetano, uma das coordenadoras do Dia do Basta no Distrito Federal, o movimento está fortalecido com as conquistas. "A sociedade civil começa a perceber a importância e a força de ir para a rua e enfrentar o Estado".
A pauta defendida na passeata pelo movimento é o fim do voto secreto, a saída do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Congresso e a derrubada da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 33, que tira do Supremo Tribunal Federal a última palavra sobre a constitucionalidade das leis editadas pelo Congresso.
A Marcha do Vinagre é um dos movimentos que adere ao Dia do Basta. Os coordenadores da marcha e outros movimentos se reuniram nesta tarde com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Presente na reunião, Antônio de Almeida Júnior, um dos organizadores da Marcha do Vinagre, disse que o presidente ressaltou o que foi feito até agora pela casa e disse que se esforçará para atender às outras demandas.
"Ele (Henrique Alves) disse vai fazer um esforço para derrubar o projeto da 'cura gay' e para tentar tirar Feliciano [deputado Marco Feliciano (PSC-SP)] da Comissão de Direitos Humanos. Disse também que apoia o movimento pelo fim do foro privilegiado, do voto secreto e apoia a reforma política".
O estudante disse que em agosto deve haver outra reunião para que sejam discutidos os avanços nessas pautas. Os organizadores seguem agora para reunião no Senado Federal e depois para a manifestação. A expectativa é que depois do jogo da Copa das Confederações, que ocorre nesta tarde, mais pessoas se juntem aos protestos. A estimativa inicial era 50 mil pessoas. A PMDF tem 4 mil policiais preparados para ir ao local caso seja necessário.