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Grupo faz vigília em frente de prédio ocupado em Porto Alegre

Quase cem famílias estão instaladas em edifício no Centro

Grupo faz vigília em frente ocupação em Porto Alegre
Grupo faz vigília em frente ocupação em Porto Alegre Foto : Samuel Maciel
No aguardo da ordem judicial de reintegração de posse autorizada pela Justiça, o grupo que ocupa um prédio na esquina das ruas Andrade Neves e General Câmara, no Centro de Porto Alegre, fez uma vigília nesta sexta-feira diante da estrutura. As quase cem famílias, que estão instaladas no local desde o 14 de novembro, optaram por permanecer no espaço. Até o início da tarde, o Comando do Policiamento da Capital (CPC) não havia recebido solicitação de apoio para o cumprimento, segundo o comandante Mário Yukio Ikeda.

Enquanto isso, os integrantes dos movimentos da ocupação intitulada Lanceiros Negros aguardavam uma negociação com o governo do Estado, que é proprietário da área de 3,5 mil metros quadrados, construída no início do século XX. Na próxima terça-feira, haverá uma reunião com o grupo de trabalho criado para mediar conflitos. No dia 17, será realizada uma audiência pública para tratar sobre moradia na Assembleia Legislativa.

O escritório de advocacia que apoia o grupo entrou com recurso contra a reintegração de posse, que foi indeferido. O próximo passo é entrar um agravo de instrumento para garantir a permanência da ocupação. Conforme uma das ocupantes, a nutricionista Priscila Voigt, a maior parte das pessoas que passaram a viver no prédio é proveniente de áreas de risco, como a Ilha da Pintada, e com dificuldade de pagar aluguel. Elas vêm de bairros como Partenon, Morro da Cruz, Lomba do Pinheiro e Hípica. Segundo ela, muitas famílias perderam suas casas, ou móveis em enchentes. Outras estão fugindo de locais violentos, dominados pelo tráfico de drogas. “A única alternativa é essa. Morar no Brasil é um privilégio.”

As cerca de 200 pessoas residindo no prédio se dividiram em equipes para fazer tarefas como limpeza, comida e algumas pequenas obras. A faxineira Jussara Vaz dos Santos, 60 anos, participa da coordenação desses grupos. Ela, os três filhos e os dez netos estão no local desde o primeiro dia de ocupação. O aluguel de R$ 700,00, mais as contas de luz e água estavam muito pesados para a família viver em uma casa no bairro Protásio Alves. “Aqui a gente encontrou um apoio.”

O advogado Onir de Araújo aposta em uma solução negociada com o governo. “Milhares de imóveis estão sem utilidade, enquanto isso muitas pessoas não têm onde morar. Algumas não têm para onde retornar.” Ele avalia que os moradores estão em condição semelhante a de refugiados.