Manifestantes e policiais militares voltaram a se enfrentar em protestos no Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira. O principal embate ocorreu na avenida Beira-Mar, próximo ao Passeio Público, depois de um grupo deixar as escadarias da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia, onde estava concentrado. Uma maioria de jovens chegou a fechar por alguns minutos duas pistas da avenida, sentido Aterro do Flamengo.
A Polícia Militar (PM) usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes e estes jogaram pelo menos dois coquetéis molotov contra os militares. O Batalhão de Choque já havia deixado a área central da cidade depois que o movimento focou as escadarias da Câmara Municipal.
O segmento dos protestos que se concentrou, desde as 19h, em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, em Laranjeiras, voltou a enfrentar o Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) com rojões atirados contra os policiais no fim da noite. Para dispersar o grupo, os militares usaram bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, balas de borracha e jatos d´água. Em confronto anterior, por volta das 20h, os manifestantes chegaram a atirar rojões na direção do palácio.
Durante a ação da PM, alguns manifestantes correram para as ruas próximas e foram perseguidos pela Tropa de Choque e por homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope). A perseguição da polícia se estendeu a até quatro quarteirões do Palácio Guanabara. No caminho, vários baderneiros depredaram veículos estacionados na Rua Paissandu. Na Praça São Salvador, o bando destruiu caçambas de coleta de lixo e quebraram os vidros dos pontos de ônibus da região. Todo comércio da praça e no Largo do Machado fechou às portas. O mesmo ocorreu nas ruas Presidente Carlos de Campos e Marquês de Pinedo, que ficam nas proximidades da sede do governo estadual.
As bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela PM levaram os moradores dos prédios próximos a fechar as janelas dos apartamentos por causa do incômodo causado pelo produto. Muita gente se refugiou na Clínica Pinheiro Machado, por causa fumaça emitida pelas bombas de efeito moral.
Os moradores da Rua São Salvador também reclamaram do incômodo causado pelo gás. O cheiro era tão forte que as pessoas tiveram de fechar as janelas e basculantes de suas casas. A Praça São Salvador, ali perto, foi cercada pela PM e por homens do Grupamento de Motociclistas.
As ruas Paissandu, Senador Vergueiro e São Salvador e as transversais tiveram também tiveram as caixas coletoras de lixo arrancadas, lixo domiciliar jogo no meio da rua, placas com nomes de ruas destruídas e pontos de ônibus depredados. A maioria dos baderneiros usava máscaras para cobrir o rosto.
Durante a manifestação, a Polícia Militar levou para as ruas carros blindados e um carro-pipa usado para dispersar multidões. Antes, quando os manifestantes estavam nas escadarias da Câmara, apareceu um carroceiro com uma caixa de som, que tocava músicas funk e os jovens promoveram uma espécie de baile funk na Cinelândia.
Após a manifestação, pode-se verificar um rastro de destruição ao longo da avenida Chile, onde pelo menos cinco pontos de ônibus tiveram os vidros estilhaçados por pedras atiradas pelos manifestantes. Eles também usaram as caixas coletoras de lixo, material altamente inflamável, para fazer fogueiras no meio da rua.
O trânsito está liberado nas Avenidas Rio Branco e Presidente Vargas, fechadas por cerca de cinco horas, devido a manifestação promovida pelas centrais sindicais, no Dia Nacional de Luta. Pelo menos 20 pessoas foram detidas pela PM.
Grupo joga coquetéis molotov contra PM no Rio de Janeiro
Manifestantes entraram em confronto com Tropa de Choque no Palácio Guanabara