O trecho entre as paradas 54 e 57, da avenida Flores da Cunha, em Cachoeirinha, foi marcado por uma mobilização, durante a manhã desta sexta-feira, a favor do cercamento de uma área denominada “Mato do Júlio”. Munidos de faixas e cartazes, homens, mulheres e crianças tentavam sensibilizar e alertar a população sobre os riscos e o perigo que o local vem causando especialmente aos moradores e visitantes do bairro Monte Carlo.
O local, que tem um quilômetro e meio de extensão de mata fechada e uma área total de 256 hectares, teria sido cenário de um estupro consumado, registrado pelas autoridades no dia 4 de março. “A moça aguardava o ônibus, às 8h de uma sexta-feira, quando foi surpreendida pelo suspeito que a arrastou para o mato. O abuso se prolongou por cerca de 3 horas. Não dá para sustentar mais uma situação como essa. É preciso que algum agente público tome uma medida”, disse o técnico em eletrônica, Paulo Edgar, 42 anos, morador de Cachoeirinha.
Assim como ele, o aposentado Antônio Patrício Marques, 71 anos, que também se uniu a causa, diz que o problema se arrasta há anos e que alguns estabelecimentos deixaram de oferecer serviços durante a noite em virtude da segurança dos usuários e clientes. “Quem precisa pegar ônibus aqui, corre sérios riscos. Quando anoitece, o perigo é ainda maior.
A advogada e corretora de imóveis, Ester Ramos, comenta que já foi feito um abaixo-assinado onde foram recolhidas mais de quatro mil assinaturas. “A expectativa é que consigamos coletar 10 mil. O Ministério Público já está ciente desta situação. Nossa ideia é que possamos ingressar com uma ação popular.”
A manifestação do grupo seguiu com uma caminhada até a porta da Prefeitura de Cachoeirinha. A explicação da Administração aponta que aquele local em questão é uma área articular e está sendo disputada na Justiça por oito herdeiros, portanto, está sob judice. Entretanto, diante do clamor público, a Prefeitura se comprometeu a fechar o acesso do local pelo Parcão, que fica aos fundos do terreno, colocando um gradeamento de concreto ou de ferro, o que está sendo estudado.
Procurado, o titular da 1ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, delegado Rafael Delvalhas, confirmou o fato e informou que o suspeito foi preso pela Guarda Municipal, logo após o crime sexual. “Ele foi levado ao plantão da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), onde foi reconhecido pela vítima e preso em flagrante.” Questionado sobre a ocorrência de outros crimes naquela área, Delvalhas lembra de registros de assaltos.
O comandante do 26º Batalhão da Polícia Militar de Cachoeirinha, tenente-coronel Marcelo Tadeu Pitta Domingues, informou que o registro de estupro foi um caso isolado e que rondas e patrulhamento são feitos de forma rotineira nas imediações daquela região.
Grupo realiza manifestação contra a violência em Cachoeirinha
Mobilização acontece após um estupro ter sido registrado em trecho da avenida Flores da Cunha