O desabastecimento criado pela greve dos caminhoneiros no setor da saúde levou o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) a suspender os transplantes. A informação foi comunicada nesta segunda-feira pela instituição à Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do RS (Fehosul) que monitora a situação nas instituições e aponta quadro de administração da escassez, com preocupação.
A gestão dos poucos insumos disponíveis não conseguirá evitar a falta em muitos hospitais se a greve durar mais dois dias. Na madrugada de quinta para sexta-feira ocorreu entrega de oxigênio no HCPA, que garante abastecimento da instituição por mais cinco ou seis dias. Mas o hospital pede doação de sangue de todos os tipos, já que o estoque diminuiu muito desde o início da greve dos motoristas.
Em média, o HCPA recebe cerca de 40 doações por dia. Com a greve dos caminheiros, o número caiu para apenas cinco. Com os estoques baixos, cirurgias e outros procedimentos médicos são prejudicados.
Por conta do desabastecimento de alguns medicamentos e insumos, o HCPA cancelou nesta segunda-feira todas as cirurgias eletivas por 48h, para poder seguir realizando as de urgência. Pacientes que não estão conseguindo chegar para consultas agendadas terão atendimento remarcado.
O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) suspendeu as cirurgias eletivas de segunda e desta terça-feira. A instituição afirma que irá manter procedimentos eletivos de pacientes já internados. O Conceição mantém suspensas as cirurgias de pacientes não internados, exceto casos oncológicos.
O GHC afirmou que até quarta estão garantidos oxigênio, medicamentos, insumos, gás, combustível e serviço de lavanderia.
Situação sob controle na Santa Casa
A Santa Casa de Porto Alegre manteve as operações normalizadas, realizando cirurgias eletivas. Nesta segunda, a instituição conseguiu garantir insumos e medicamentos. Há gás e combustível até quarta-feira. O hospital realizou, até o momento, os procedimentos eletivos normalmente. Não há previsão de falta de oxigênio, alimentos e serviço de lavanderia.
No Hospital Mãe de Deus estão sendo mantidos os estoques regulares. A instituição tem uma agenda: até dia 1º de junho o serviço de lavanderia está garantido; alimentos, até o dia 2 de junho; insumos, até o dia 3 de junho; oxigênio, até o dia 4 de junho; e medicamentos estão garantidos até o dia 6 de junho.
O Hospital São Lucas da PUCRS tem suprimentos para os próximos dias, mas suspendeu cirurgias eletivas até a normalização. Os pacientes já internados para cirurgia eletiva terão o procedimento realizado. Os prazos do São Lucas são os seguintes: alimentos e combustível garantidos até quarta-feira; medicamentos, até quinta-feira; e insumos, até 2 de junho. Não há previsão de falta de oxigênio, gás e serviço de lavanderia.
Controle sobre estoques
O Hospital Moinhos de Vento informou ter adotado rígido controle sobre todos os estoques, mantendo a normalidade das operações hospitalares. Ontem, o hospital informou que as cirurgias eletivas estão mantidas por enquanto.
Em Porto Alegre, a CliniOnco ainda não registrou problemas quanto a material e insumos. Porém, se persistir a greve a situação poderá mudar. Pacientes também estão reclamando da dificuldade de se deslocar até a clínica.
Estoque disponível por uma semana
O Hospital Divina Providência acredita que os estoques disponíveis garantem a normalidade por mais uma semana. Relatou que mantém sua organização cirúrgica, inclusive para cirurgias eletivas, com reavaliação periódica especialmente em relação as alternativas de transporte dos colaboradores.
Conforme a avaliação da Fehosul, a situação segue normalizada no Instituto de Cardiologia. No Hospital Banco de Olhos, as cirurgias eletivas foram canceladas momentaneamente nesta segunda-feira.
No Hospital da Brigada foram suspensos as cirurgias e procedimentos eletivos agendados. Já no Hospital Ernesto Dornelles estimou todos os serviços foram prestados sem contratempos importantes até esta segunda.
Hospitais administram desabastecimento com dificuldades em Porto Alegre
Hospital de Clínicas suspendeu as cirurgias de transplantes devido à greve