Nesta segunda, por exemplo, havia 64 excedentes dispostos em macas e cadeiras espalhadas pelos corredores. “Os médicos parecem contorcionistas à procura dos pacientes”, comparou um idoso que estava há mais de 12 horas aguardando pela liberação de leito em uma enfermaria. Não apenas os médicos enfrentam dificuldades para encontrar os enfermos. Os profissionais de Enfermagem apelam para os gritos na tentativa de localizar os enfermos na hora de ministrar doses de medicamentos.
No Hospital Nossa Senhora da Conceição o quadro se agrava a cada dia. “Faltam apenas 10 pacientes para atingirmos o triplo da capacidade de leitos”, enfatizou o superintendente do Grupo Hospitalar Conceição, Neio Lúcio Fraga Pereira. Com apenas 50 leitos, o Conceição abrigava 140 enfermos no início da tarde. Pereira afirmou que o quadro permanece inalterado há vários dias. “Já entrei em contato com o secretário municipal da Saúde, Carlos Casartelli, para expor a situação que tende a ficar ainda mais crítica nos próximos dias”, projetou. A maioria dos pacientes abrigados no Setor de Emergência do Conceição é portador de doenças crônicas.
“São pessoas que necessitam permanecer em leitos para internação clínica”, atestou. Ainda ontem, Pereira disponibilizou 25 leitos extras distribuídos em praticamente todos os andares do Conceição e não conseguiu atenuar a superlotação. Segundo ele, 50% dos pacientes residem na Capital, 35% na região Metropolitana e, o restante, em cidades do Interior.
No Hospital Santa Clara, do Complexo Hospitalar Santa Casa, 36 pacientes aguardavam pela liberação de leitos amontoados em espaço destinado a abrigar oito. Já no Hospital São Lucas, da PUCRS, o Setor de Emergência/SUS contabilizava 17 excedentes. Havia 32 adultos enfermos em área projetada para abrigar 15. Na ala infantil, também vinculada ao SUS, 12 crianças estavam em observação - uma a mais do que a capacidade. Em alguns hospitais, é necessário esperar até 4 horas para consultar.