Mobilizados para exigir o aumento de investimentos por parte do Governo Federal para atendimentos realizados no Sistema Único de Saúde (SUS), 2,1 mil Santas Casas e hospitais filantrópicos do país paralisam suas atividades nesta quinta-feira. As instituições brasileiras, que correspondem a 51% da assistência pelo SUS no país, acumulam um total de R$ 15 bilhões em dívidas. No Rio Grande do Sul, 259 instituições médicas deixam de prestar parte dos atendimentos. Somente em Porto Alegre, sete hospitais filantrópicos e a Santa Casa de Misericórdia aderiram à mobilização.
As consultas previstas para esta quinta-feira foram agendadas para sexta ou para o início da próxima semana. No entanto, as que não foram remarcadas serão realizadas, mas com o caráter de sensibilização aos pacientes. O presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul, Julio Dornelles de Matos, explicou que a paralisação, que atinge diretamente a população brasileira, foi a forma encontrada para pressionar o governo. Matos salientou, contudo, que cada Estado aderiu a um modelo de paralisação, podendo interromper todas as consultas ou parte delas, como é o caso do Rio Grande do Sul.
Matos esclareceu que a situação atual dos hospitais filantrópicos e Santas Casas é insustentável. “Nosso trabalho está sendo realizado com um déficit superior a R$ 7 bilhões a cada ano. Os hospitais só não fecharam porque os Estados têm ajudado com investimentos, mas que não são suficientes” observou.
Entre o montante acumulado com a dívida, 44% foi com o sistema financeiro e 26% com tributos federais. Outra exigência das instituições é que o governo realize um financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a dívida. “Estamos fazendo um pedido ao Governo Federal, queremos negociar essa dívida”, comentou.
Na Capital, na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, onde são realizadas em média 2 mil consultas por dia, 250 que estavam previstas para esta quinta-feira foram agendadas para outros dias, de acordo com a disponibilidade de cada paciente. Conforme a instituição, o restante dos atendimentos não sofrerão alterações.