Geral

Hospitais filantrópicos paralisam nesta quinta para pressionar governo federal

Milhares de consultas médicas devem ser adiadas em 259 instituições do RS

Hospitais filantrópicos paralisam nesta quinta para pressionar governo federal
Hospitais filantrópicos paralisam nesta quinta para pressionar governo federal Foto : André Ávila / CP Memória
Por Jézica Bruno

Mobilizados para exigir o aumento de investimentos por parte do Governo Federal para atendimentos realizados no Sistema Único de Saúde (SUS), 2,1 mil Santas Casas e hospitais filantrópicos do país paralisam suas atividades nesta quinta-feira. As instituições brasileiras, que correspondem a 51% da assistência pelo SUS no país, acumulam um total de R$ 15 bilhões em dívidas. No Rio Grande do Sul, 259 instituições médicas deixam de prestar parte dos atendimentos. Somente em Porto Alegre, sete hospitais filantrópicos e a Santa Casa de Misericórdia aderiram à mobilização.

As consultas previstas para esta quinta-feira foram agendadas para sexta ou para o início da próxima semana. No entanto, as que não foram remarcadas serão realizadas, mas com o caráter de sensibilização aos pacientes. O presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul, Julio Dornelles de Matos, explicou que a paralisação, que atinge diretamente a população brasileira, foi a forma encontrada para pressionar o governo. Matos salientou, contudo, que cada Estado aderiu a um modelo de paralisação, podendo interromper todas as consultas ou parte delas, como é o caso do Rio Grande do Sul.

Matos esclareceu que a situação atual dos hospitais filantrópicos e Santas Casas é insustentável. “Nosso trabalho está sendo realizado com um déficit superior a R$ 7 bilhões a cada ano. Os hospitais só não fecharam porque os Estados têm ajudado com investimentos, mas que não são suficientes” observou.

Entre o montante acumulado com a dívida, 44% foi com o sistema financeiro e 26% com tributos federais. Outra exigência das instituições é que o governo realize um financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a dívida. “Estamos fazendo um pedido ao Governo Federal, queremos negociar essa dívida”, comentou.

Na Capital, na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, onde são realizadas em média 2 mil consultas por dia, 250 que estavam previstas para esta quinta-feira foram agendadas para outros dias, de acordo com a disponibilidade de cada paciente. Conforme a instituição, o restante dos atendimentos não sofrerão alterações.

Bookmark and Share