A cirurgia reduz os riscos aos pacientes e o tempo de recuperação. O novo modelo utiliza o sistema eletrônico chamado “Artis Zeego”, da Siemens. Ele permite a captação de imagens diretamente ajustada à mesa, onde está o paciente, girando totalmente entorno dela.
Tal processo ocorre simultanemente à cirurgia. Assim, os médicos cirurgião e intervencionista atuam de maneira integrada com os demais profissionais, anestesistas, ecocardiografistas e técnicos de imagem, numa mesma sala, chamada de híbrida, por reunir as necessidades dos cirurgiões e de captação de imagem, que são transmitidas a um monitor com 56 polegadas.
O sistema é coordenado pelo Heart Team (Time do Coração) do São Francisco, sob a tutela de Fernando Lucchese, diretor médico, e Valter Lima, chefe do serviço de hemodinâmica. Aos 65 anos, sendo que 43 deles na cirurgia cardíaca, Lucchese não se sentiu intimidado ao concordar que o novo sistema se assemelha a um jogo de videogame e, foi além, ao chamar o equipamento de “Transformer”, uma referência ao filme em que máquinas têm grandes habilidades. “Jamais pensei que estaria vivo para assistir e muito menos para fazer um procedimento com este tipo de tecnologia. A verdade é que a cirurgia cardíaca mudou completamente, com avanços gigantes”, resumiu Lucchese, dentro do Bloco Cirúrgico, que foi montado no Hospital São Francisco para a utilização deste tipo de equipamento.
Um dos grandes diferenciais é que a maioria dos equipamentos está ligada ao teto, sendo facilmente manuseada pelos profissionais. Em um mês de funcionamento, até a completa adaptação do software tecnológico, já foram colocadas cerca de 20 válvulas no coração e dezenas de outros pequenos procedimentos. O serviço já obteve a aprovação da Anvisa, mas ainda não está liberado totalmente pelo governo. Assim, todos os procedimentos até agora foram autorizados por meio de decisão judicial, para pacientes com plano de saúde e também do Sistema Único de Saúde (SUS).