Diariamente, cerca de duas ligaduras tubárias são feitas no Hospital Fêmina, em Porto Alegre, via Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo assim, o tempo de espera das mulheres que desejam fazer o procedimento pode variar de seis meses até um ano. Por isso, neste sábado a instituição promove um mutirão cirúrgico. Quinze pacientes que precisariam esperar até março do próximo ano serão atendidas hoje.
“É uma forma de o hospital participar mais da sociedade”, explicou o coordenador do serviço de Ginecologia do Fêmina, Lutero Kochjung, sobre a iniciativa, que, em 2016, ocorreu pela primeira vez. Com o mutirão, é possível diminuir a fila de espera das pacientes encaminhadas pelos postos de saúde. Antes do procedimento, no entanto, elas passam por uma consulta com uma psicóloga e por uma palestra de orientação.
As medidas, explica o cirurgião ginecologista do Hospital Fêmina João Pedro Hoefer, são tomadas para evitar o arrependimento, já que muitas mulheres que afirmam ter desejo de fazer a laqueadura acabam mudando de ideia. Para o mutirão deste sábado, por exemplo, estavam previstas 18 cirurgias, mas três pacientes não compareceram.
Para realizar a cirurgia, o Ministério da Saúde estabeleceu que a mulher deve ter mais de dois filhos e pelo menos 25 anos. No Fêmina, segundo os médicos, em função dos possíveis arrependimentos, aconselha-se que a paciente já tenha em torno dos 30 anos. Antes de se optar pela ligadura, também recomenda-se outros métodos de controle de gravidez, como uso de anticoncepcionais e dispositivo intrauterino (DIU). Sempre há - mesmo no caso de não haver fila -, uma espera mínima de 60 dias.
A ligadura tubária é considerada um método de planejamento familiar e o procedimento não apresenta grande complexidade. Com uma duração entre 30 e 40 minutos, a paciente volta para casa no mesmo dia e, dentro de uma semana, pode voltar a trabalhar. Em 2016, contando com o mutirão de sábado, foram realizadas 475 ligaduras tubárias no Hospital Fêmina.
Hospital de Porto Alegre faz mutirão de ligaduras tubárias pelo SUS
Mulheres aguardam até um ano pelo procedimento