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Hospital gaúcho já fez mil transplantes de fígado

Milésimo paciente operado foi homem de 57 anos

Nada melhor do que comemorar o Dia do Médico, celebrado nesta sexta-feira, homenageando as vidas salvas por esses profissionais. E foi pensando nisso que o Complexo Hospitalar da Santa Casa de Porto Alegre realizou nessa manhã, no auditório da instituição, uma cerimônia especial em referência ao milésimo transplante de fígado feito pela equipe pioneira do Hospital Dom Vicente Scherer.

A cerimônia foi acompanhada por integrantes da equipe cirúrgica e clínica e da primeira transplantada Marilene da Rosa, de 47 anos, que fez o transplante há 22 anos, e o milésimo, Fábio Rodrigues Gonçalves, de 57 anos, que fez a cirurgia no último dia 3 de outubro.

Atualmente, a equipe realiza uma média de 60 procedimentos por ano, sendo que o ápice foi atingido em 2005, com 82 transplantes. Segundo o chefe do grupo de transplante hepático, Guido Cantisani, só não são realizados mais cirurgias por falta de órgãos. “Infelizmente, a maior parte das vezes, o órgão não é recomendado para o transplante por estar debilitado ou porque o paciente tinha doença associadas. Por isso, é fundamental estimular a conscientização sobre a doação”, explicou. A lista de transplante de fígado no RS tem cerca de 200 pessoas, sendo que são indicados apenas os pacientes considerados mais graves. “Ainda há pessoas que morrem na lista de espera”, ressaltou.

Ao lembrar do primeiro procedimento, a médica Maria Lúcia Zanotelli ressaltou que o clima era de pressão social e de incertezas. “Foi por causa da audácia e da excelente equipe e treinamento da Santa Casa”, destacou. Ela lembrou que com o tempo, o avanço tecnológico e de a qualificação dos procedimentos fizeram com que cirurgias que antes demoravam 16 horas, possam ser feitas hoje em cerca de 4 horas, com menor risco aos pacientes. Para a primeira transplantada, o procedimento representou o salvamento de duas vidas. Isso porque Marilene, que recebeu o fígado aos 24 anos, engravidou três anos depois, apesar das contraindicações médicas. “Tinha certeza que daria certo. Queria viver para se mãe e foi o que ocorreu com a chegada do Rogério (hoje com 19 anos)”. Ela lembrou que o transplante era visto com receio pela família. A necessidade da cirurgia se deu em função do estágio avançado de cirrose, provocada pela hepatite B.

O Brasil é o segundo país no mundo em transplantes de fígado, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo assim, o desempenho é considerado baixo das condições. Apenas na Santa Casa, desde 1977, quando ocorreu o primeiro transplante de rim, já foram 5.191 procedimentos, entre rim, pulmão, coração, pâncreas e fígado.

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