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Hospital São Camilo de Esteio pode interromper serviços

Instituição deve trabalhar em parceria com FGV de Sapucaia do Sul

Existem novos espaços para UTI Neonatal que nunca foram usados
Existem novos espaços para UTI Neonatal que nunca foram usados Foto : Tarsila Pereira
O Hospital São Camilo, de Esteio, teme o fechamento de serviços nos próximos meses. A instituição, que atende apenas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), deve começar a trabalhar em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, de Sapucaia do Sul, para não deixar a população da região sem atendimento. As cirurgias de urgência e a traumatologia ficarão com a equipe de Sapucaia, enquanto Esteio será responsável pela assistência pediátrica. A expectativa é reduzir R$ 130 mil mensais. “Essas medidas têm efeito momentâneo. Precisamos de ações mais concretas e que o Estado puxe para si a responsabilidade pela suspensão dos serviços”, diz a diretora administrativa, Tatiane Dela Pase.

Nessa terça-feira, os dirigentes da instituição foram à Secretaria Estadual da Saúde (SES) em busca de posicionamento. “Precisamos de certezas, mesmo que seja de cortes, para nos planejar e diminuir gastos. O que não pode é ficarmos sem saber quando e quanto vamos receber”, alega.

A empresa que realiza exames anunciou que suspenderá os atendimentos caso não haja pagamento. No local, são realizados mensalmente, em média, 554 ecografias, 2,4 mil raios X e 327 tomografias. “A suspensão do serviço inviabiliza o atendimento no hospital”, ressalta o diretor técnico, Marcelo Saldanha.

Além do repasse de novembro de mais de R$ 1 milhão, a instituição afirma não ter recebido R$ 1,7 milhão em junho e não tem previsão de contar com R$ 3,7 milhões. “Este é um momento desesperador para a saúde pública. Estamos com dívidas de dois meses e redução nos repasses, mas não sabemos até quando conseguiremos segurar.” O hospital teve corte de 60% dos repasses e os pagamentos são feitos com atraso. “Se não fosse o adiantamento do município, não conseguiríamos manter a folha de pagamento em dia, mas estamos em atraso com fornecedores, terceirizadas, médicos e anestesistas autônomos”, explica Tatiane.

Em 2014, o hospital investiu R$ 600 mil na expansão da UTI Neonatal, que passou de cinco para dez leitos e de sete para 15 (atendimento intermediário). Os espaços nunca foram usados. A instituição faz parte da Rede Cegonha. Um contrato temporário seria feito com o Estado para viabilizar o serviço. Segundo a SES, “os novos serviços precisam da habilitação do Ministério da Saúde”.