As Santas Casas e hospitais filantrópicos de 220 cidades do Rio Grande do Sul realizam nesta quarta-feira uma mobilização em função da situação das instituições, considerada crítica por conta da falta de recursos. O hospital Vila Nova, localizado na zona Sul de Porto Alegre, iria restringir o atendimento, mas a administração do local decidiu manter os serviços para não prejudicar os pacientes que vem do interior do Estado.
Apesar do atendimento seguir seu ritmo normal, a administração do Vila Nova reforçou a necessidade de mobilização. O hospital recebeu R$ 500 mil a menos de uma verba que chega aos R$ 2,9 milhões, entre recursos municipais, estaduais e federais. O diretor-presidente da instituição, Dirceu Dal Molin, afirmou que se nos próximos 30 dias o valor não for repassado, o Vila Nova vai sofrer cortes de 20% nos atendimentos. Atualmente, o hospital tem 350 leitos e seu atendimento é totalmente voltado para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Hoje é considerado o Dia D para os hospitais filantrópicos e haverá entrega de panfletos, abraços às unidades e suspensão de atendimentos eletivos pelo SUS. Segundo a Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Estado, a situação foi agravada, especialmente, de outubro de 2014 até agora, quando as 245 instituições sem fins lucrativos deixaram de receber do Estado mais R$ 207 milhões. Conforme a federação, as casas de saúde são responsáveis por mais de 70% do atendimento via SUS.
Hospital referência para 25 cidades suspende procedimentos
O Hospital Vida & Saúde, de Santa Rosa, referência para 25 municípios, suspendeu procedimentos agendados previamente no Centro Clínico e Diagnóstico por Imagem, via SUS. As agendas eletivas da traumatologia, bloco cirúrgico e oncologia, urgência e emergência funcionarão normalmente. No Hospital São Vicente de Paulo de Três de Maio, os atendimentos eletivos do SUS serão reagendados. Colaboradores distribuirão panfletos e, às 9h, será apresentada a situação para autoridades, empresários e comunidade. Sem o repasse dos recursos, o hospital deve reduzir os serviços.
Em Lajeado, o Hospital Bruno Born, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, fará mobilização a partir das 12h. “No HBB, por exemplo, o corte do recurso do Estado, no valor de R$ 3 milhões por ano, poderá representar diminuição de 708 internações e 34 mil procedimentos ambulatoriais, impactando diretamente na saúde da população local e regional”, salienta o presidente Claudinei Fracaro. O Hospital de Caridade Sant’Ana, de Bom Retiro do Sul, todos os funcionários usarão faixa preta com a palavra “Socorro” e haverá entrega de panfletos.
Hospital Vila Nova projeta corte de 20% nos serviços por falta de recursos
Mobilização de instituições filantrópicas restringiu atendimentos no interior do Estado