O consumo de bens e serviços de saúde em 2007 representou 8,4% do PIB. Os dados fazem parte da Conta Satélite Saúde Brasil e foram divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A despesa das famílias chegou a R$ 128,9 bilhões (4,8% do PIB), dos quais R$ 69 bilhões representaram gastos com serviços e R$ 45 bilhões com medicamentos.
A renda gerada pelas atividades econômicas ligadas à saúde cresceu 8,9% no mesmo período no Brasil. A participação do setor no total da economia passou de 5,5%, em 2005, para 6,0% (R$ 137,9 bilhões) em 2007. Desse total, R$ 48 bilhões corresponderam à Saúde Pública, incluindo hospitais universitários federais e militares. As atividades de saúde responderam por 4,2 milhões de postos de trabalho no país em 2007, e o rendimento médio anual dos trabalhadores (por ocupação) nessas atividades foi de R$ 20,5 mil.
O valor adicionado à geração de renda das atividades foi de R$ 119,0 bilhões, em 2006, e de R$ 137,9 bilhões, em 2007. A variação no valor adicionado de um ano para o outro representa tanto aumentos na quantidade e qualidade dos produtos (variações de volume) quanto variações de preço desses produtos. No caso do valor adicionado das atividades de saúde, em 2007, a variação de volume foi de 4,4%.
A pesquisa, publicada pela primeira vez, detalha a participação de cada atividade do setor na economia e permitirá acompanhar sua evolução anualmente. De acordo com o IBGE, trata-se de uma extensão do Sistema de Contas Nacionais do instituto. O gerente de Modelos e Métodos do IBGE, Ricardo Moraes, explicou que essa variação do valor adicionado à economia brasileira pela atividade reflete, no período, os aumentos na quantidade e qualidade (variação de volume) e no preço desses produtos.
335 mil novos postos de empregos no setor
Os postos de trabalho ligados a atividades de saúde no Brasil registraram expansão entre os anos de 2005 e 2007, passando de cerca de 3,8 milhões de vagas para aproximadamente 4,2 milhões. A participação desse tipo de ocupação no total das atividades da economia subiu de 4,3% para 4,4%. O acréscimo representa a abertura de 335 mil postos, criados principalmente no setor de comércio de produtos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e odontológicos. Sozinho, este ramo respondeu por 105 mil novas vagas de trabalho no período.
O levantamento revela que o rendimento médio anual das atividades na saúde representaram, em 2007, 8,2% das remunerações do total da economia. A renda média mais alta do ramo é a dos trabalhadores das atividades de atendimento hospitalar (que inclui funções de médico, enfermeiro, porteiro e de todos que trabalham em estabelecimentos privados que oferecem esse serviço), que foi de R$ 43,7 mil anuais em 2007. Dois anos antes, o rendimento anual dessa atividade foi de R$ 33.137.
Despesas do governo com serviços de saúde cresceram 32,6%
As despesas do governo com serviços de saúde pública subiram de R$ 70,4 bilhões, em 2005, para R$ 93,4 bilhões, em 2007. Essa expansão, de 32,6% em valores correntes, representou também uma elevação da participação em relação ao Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, que passou de 3,3% para 3,5% no mesmo período.
Apesar do crescimento, dados relativos aos países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelam que o Brasil ainda está bem atrás de nações como os Estados Unidos, onde os gastos da administração pública com saúde representaram, em 2007, 16% do PIB; e a França (11%).
IBGE: Consumo na saúde representou 8,4% do PIB em 2007
Despesa das famílias com bens e serviços de saúde chegou a R$ 128,9 bilhões netre 2005 e 2007