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Ilhas Galápagos são de cair o queixo

Arquipélago está localizado a mil quilômetros da costa do Equador, no Oceano Pacífico

Somente 3% da área de Galápagos é destinada à livre circulação de turistas
Somente 3% da área de Galápagos é destinada à livre circulação de turistas Foto : Divulgação/CP
As Ilhas Galápagos são de tirar o fôlego. De deixar a gente de queixo caído. Parecem de outro mundo. As surpresas são contínuas, provocadoras, instigantes, de permanentes exclamações de encanto e de exemplos de cuidados extremos e respeitos ao ciclo da vida dos animais, das plantas, das coisas. Ali, não se mexe em nada. Não se tira pedra do lugar. Não se fuma ao ar livre – só em alto mar, nos navios que circulam aos montes cheios de turistas pelas ilhas. Não se fotografa os bichos com flashes. Não se agride o status quo ali estabelecido pelos deuses da natureza. A vida é o que é. No seu esplendor ou no seu declínio, na vida que rola e avança e também na sua morte. Não é um lugar para se ter pena, para se gritar, para se berrar. É um paraíso especial, onde as coisas fluem como de fato foram feitas.

Localizadas a mil quilômetros da costa do Equador, o arquipélago de Galápagos no Oceano Pacífico tem 13 ilhas grandes, 6 pequenas e mais de 40 ilhotas. Todo este cenário possui extensão de 8.010 km² e 20 mil moradores fixos, espalhados por algumas das ilhas habitáveis e seguindo padrões rígidos de respeito à natureza. O naturalista e cientista inglês Charles Darwin (1809-1882), um dos gênios da humanidade, andou ali em 1835, ficou pouco mais de 20 dias em terra e assombrou-se com a infinita diversidade das espécimes que encontrou na fauna e flora.

Da sua visita ao local, que ele nunca mais esqueceu, escreveu “A Origem das Espécies”, muitos anos depois, em 1859. No livro, ele demonstra que alguns indivíduos de uma espécie são mais fortes, podem correr mais depressa, são mais inteligentes, mais imunes à doença, mais agressivos sexualmente ou mais aptos a suportar os rigores do clima do que seus companheiros. Estes sobreviverão e se reproduzirão, enquanto os mais fracos perecerão. No curso de muitos milênios, as variações levaram à criação de espécies essencialmente novas. É a famosa teoria da evolução das espécies do primeiro grande ambientalista do mundo.

As ilhas foram descobertas em 1535 por um explorador espanhol. Ele queria ouro, riquezas e achou o local horrível e escreveu para os seus reis que aquilo era um inferno para o propósito que buscava – jóias e metais preciosos. Outros mais sábios vieram depois e chamaram a região de “Ilhas Encantadas”. Certíssimos. Uma grande parte do arquipélago está ao Sul da linha equatorial, onde convergem várias correntes marinhas. Em suma, as ilhas Galápagos são a fusão de todos os elementos necessários para criar uma maravilha zoológica.

Consideradas patrimônios da humanidade pela Unesco, as ilhas se transformaram em Parque Nacional Galápagos em 1959 pelo Equador. Elas emergiram do Pacifico há cinco milhões de anos como resultado de erupções vulcânicas submarinas. São as formações de lava e rocha vulcânica que dão ao turista a impressão de se achar “em outro mundo” quando visita as ilhas.

Ali tem tudo que a natureza pode chamar de exuberante, estranho, esquisito. Não se pode sair por lá sozinho. Tem que andar com guias e biólogos para se aprender alguma coisa e seguir todas as regras. É preciso sempre ter o máximo de respeito com os animais. Dá para destacar as suas famosas tartarugas gigantes, que podem viver até 150 anos e ficar até um ano sem se alimentar; o raríssimo e só ali encontrável – a iguana marinha; pinguins; aves de todos os tipos e belezas; répteis, peixes multicoloridos; lobos marinhos; leões marinhos e tantas outras coisas. A maioria deles não está nem aí para os humanos. Ficam inertes à passagem dos visitantes. Um espetáculo à parte. Uma coisa simplesmente “de morir de encanto” como dizem os equatorianos.

Galápagos foi oficialmente anexada ao Equador em 1832 e nomeada “Archipiélago del Ecuador”. Hoje, a maioria das pessoas que desembarca em um dos dois aeroportos do arquipélago raramente fica em terra. A melhor maneira de conhecer Galápagos é por mar. Cruzeiros que passam por quase todas as ilhas duram aproximadamente oito dias e colocam grupos cada vez mais multiculturais cara a cara com tudo que existe por ali.

Só 3% de toda área de Galápagos é destinada à livre circulação de turistas, o que corresponde ao centro das cidades e suas áreas residenciais. 0 restante do parque só pode ser visitado na companhia de um guia, que normalmente é bilíngue e formado em Biologia. A maioria dos viajantes que chega ao arquipélago passa a maior parte do tempo navegando entre as ilhas que o compõem. 0 desembarque é feito apenas em determinadas praias de algumas das ilhas e caminhar só é permitido em trilhas previamente demarcadas.