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Incêndio destroi prédio histórico da Capital

Edifício construído em 1932 abrigava o Vitori Lacosta, na rua Volutários da Pátria

Vítima com ferimentos leves é atendida por bombeiros
Vítima com ferimentos leves é atendida por bombeiros Foto : Milton Sardi/Especial CP
Um incêndio de grandes proporções atingiu, às 21h55min de sábado, edifício histórico que abrigava o Hotel Vitori Lacosta, na rua Voluntários da Pátria, 459, no Centro de Porto Alegre. O fogo, que destruiu dois dos quatro prédios contíguos, foi efetivamente controlado pouco antes das 2h de domingo. No entanto, os bombeiros seguiram trabalhando durante parte da madrugada, fazendo o rescaldo e eliminando pequenos focos que surgiam a todo o instante.

Durante o combate, três das seis viaturas empregadas pelo 1º Comando Regional de Bombeiros (1 CRB) apresentaram problemas mecânicos. As bombas de combate de dois caminhões auto-bomba-tanque estouraram e a escada mecânica emperrou, ficando suspensa.

Construído em 1932, o prédio é tombado pelo patrimônio público e foi o primeiro da Voluntários da Pátria a ter elevador. “O hotel é formado por quatro prédios enfileirados na direção da avenida Alberto Bins, sendo que o fogo começou no segundo pavimento da ala dos fundos e logo se propagou, formando uma nuvem de fumaça”, recordou o sócio-proprietário, Erli Duarte. Segundo ele, dos 22 apartamentos e 74 quartos, apenas quatro estavam sem hóspedes na noite de sábado.

“Eu tinha acabado de consertar um vazamento no terceiro andar quando escutei gritos de que o hotel estava em chamas”, assinalou. Muitas pessoas tiveram que ser retiradas a força do local, pois se negavam a sair do prédio deixando seus pertences.

“Tivemos que pedir apoio dos PMS do 9 BPM para evacuar o local”, relatou o oficial de serviço do 1 CRB, tenente Jarí Josué Silveira da Silva. Segundo ele afirmou, o hotel abriga moradores fixos, incluindo camelôs, que transformam os quartos em depósitos de mercadorias.

Os bombeiros inclusive encontraram DVDs e CDs piratas, além de aparelhos de barbear entre os objetos que queimaram. Em meio ao combate às chamas, um pequeno botijão de gás explodiu bem próximo ao tenente que, por pouco, não foi atingido pelo fogo.

O momento de maior emoção ocorreu às 23h quando os bombeiros localizaram o palestino Jalal Jaber, 56, que fora dado como morto pelos demais hóspedes do hotel. Ele estava dormindo e não percebeu que o prédio estava queimando. “Nasci de novo”, disse ele, que vive no Vitori há cerca de 12 meses.

Os populares que se aglomeravam nas proximidades acabaram por provocar várias situações de tumulto, prejudicando o trabalho dos bombeiros. Duas mulheres agrediram fisicamente quatro PMs do 9 BPM. Uma delas chegou a derrubar um dos policiais. Ambas foram presas acusadas de lesões corporais e desacato à autoridade.

Pelo menos cinco pessoas foram atendidas pela técnica de enfermagem Cínara Costa da Silva e pelo condutor Gilson Rocha, na UTI Móvel do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Entre elas estavam os bombeiros Roberto Lazaratto, com quadro de intoxicação provocada pela inalação da fumaça, e Antônio Ricardo Aquino, atingido por uma parede que desmoronou. “Se eu não estivesse usando capacete poderia ter morrido”, relatou Aquino, Ambos também apresentavam aceleração cardíaca e pontos de queimadura nos braços, pescoço e orelhas.

Por orientação do tenente, o prédio foi interditado para que as causas do incêndio sejam apuradas pelo Departamento de Criminalística do Instituto-Geral de Perícias. “No meu entendimento, a edificação está condenada. Há rachaduras e problemas estruturais provocados pelo calor. Em vários pontos, o assoalho ruiu”, atestou. O local foi isolado pelo 9 BPM e a expectativa é de que a perícia seja realizada ainda na manhã de hoje.