Nos primeiros momentos, havia risco de explosão e a central de gás, um depósito com combustível para o gerador e o laboratório da empresa foram isolados. Até o final da tarde, ainda era realizado o rescaldo e existia a preocupação com a fumaça. “A substância é tóxica, por causa da queima da cola e de outros materiais sintéticos”, explicou o capitão Iber Giordano, que respondia pela corporação da região. Vários bombeiros que estavam de folga foram convocados, ou se voluntariaram, inclusive o comandante regional, tenente-coronel Vitor Hugo Cordeiro Konarzewski.
Mais de cem pessoas se concentraram no entorno da fábrica para observar o controle do fogo. Os moradores não quiseram deixar as residências. Os moradores de uma das casas junto à estrutura atingida retiraram os móveis e eletrodomésticos para rua. “Meu padrastro e minha mãe viram quando começou a fumaça e me chamaram. Os vizinhos nos ajudaram até a chegada do bombeiros”, explicou o atendente Osiel Ávila, 26 anos, que se abrigou com a família em um bar da região, explicando que a empresa iria levá-los para um hotel.
“A nossa maior preocupação é com as pessoas que vivem aqui. Vamos dar todo o apoio”, informou o diretor industrial da Beira Rio, João Henrich. Ele disse que ainda não era possível contabilizar os danos, nem saber o motivo
do acidente. A sede de Taquara tem 650 funcionários e fabricava 14 mil pares de sapato por dia. O local não funcionava aos domingos e, segundo Henrich, apenas um vigia estava no prédio quando o fogo começou. Apesar disso, alguns funcionários relataram que duas cozinheiras estariam na Beira Rio, adiantando as refeições para segunda-feira, mas a informação não foi confirmada.