Amigos e familiares da família se reuniram na rua onde ficava a casa. “A comunidade está em estado de choque”, disse a professora Sílvia Regina Pinheiro Neis, diretora da escola Coronel Aparício Borges, onde duas das crianças estudavam. “São três anjinhos que foram para o céu”.
Primeiro a chegar ao local, o soldado Miquéias Vieira Rodrigues, do 4º RPMon, lembrou que as labaredas eram muito altas. Ele estava no quartel, quando foi chamado por um colega e correu para ajudar. “O calor era intenso e não pude fazer nada”, lamentou o policial militar.
A mãe tinha ido à padaria e, quando retornou, se deparou com a casa em chamas. Ela entrou em estado de choque e teve que ser atendida por paramédicos. O pai, Geyson da Rosa Sanatana, estava no serviço e foi avisado da tragédia. Ele tembém estava muito abalado e era amparado por amigos.
A aposentada Maria da Conceição da Silva dos Santos, vizinha das vítimas, mal consegue falar ao lembrar os gritos das crianças pedindo socorro. Ela disse que o portão da frente estava fechado e teve que ser derrubado, mas as chamas impediram que as pessoas se aproximassem da casa. A mãe das crianças, quando chegou da padaria, começou a gritar pelos filhos. "Foi horrível", definou a aposentada. "O desespero das crianças, gritando por socorro e não se podendo fazer nada", comentou, lembrando que o avô delas é deficiente visual e a avó levou um tombo no momento em que se mobilizava para tentar ajuda.
Segundo os bombeiros, as crianças ficaram encurraladas, pois as janelas da casa têm grades, o que impediu as vítimas de saírem. Segundo a professora Sílvia Regina, um dos bombeiros lhe disse que uma das crianças foi encontrada debaixo da cama, a outra próxima a esta, e a terceira, em outro quarto.
O comandante da operação dos bombeiros no local, major Jefferson Ecco, afirmou que apenas a perícia apontará as causas do incêndio. “Fato é que a casa é de madeira, material que propaga mais rápido o fogo, além disso havia mais materiais inflamáveis dentro da residência, como roupas”, explicou.