Caso seja comprovada a presença de substâncias químicas no corpo do caminhoneiro devido à ingestão de rebites – droga consumida para estimular o sistema nervoso e acelerar o ritmo de trabalho, o delegado acredita que fica claro que o condutor se expôs ao risco de provocar um acidente, o que configura o chamado dolo eventual. Se os exames descartarem o uso dos rebites, Araújo deve ser indiciado por homicídio culposo, sem intenção de matar. “Esta questão de haver o inibidor de sono é que vai deslocar (o tipo de crime), de não ser mais culposo de trânsito e sim homicídio doloso”, esclarece.
O inquérito soma mais de mais de 200 páginas. Mombach já confirmou que o caminhoneiro vai ser indiciado por dois homicídios e sete tentativas de homicídio, podendo ser condenado a mais de 20 anos de prisão. Depois de concluído, o inquérito segue para a Comarca de Farroupilha.
O acidente ocorreu em 27 de abril, quando um comboio de policiais e jornalistas seguia para a cobertura de uma operação policial na Serra. A colisão ocorreu no km 47 da ERS 122, em Farroupilha, no trecho conhecido como "Curva da Morte". O caminhão trafegava de São Paulo em direção a São Sebastião do Caí. O caminhoneiro que provocou a colisão perdeu os freios do veículo.
Motorista responde em liberdade
Como conseguiu responder ao processo em liberdade, por meio de um alvará de soltura, o caminhoneiro deve ser intimado em casa, no Interior de São Paulo, para prestar esclarecimentos à Justiça gaúcha. A hipótese de prendê-lo novamente, de forma preventiva, já foi descartada pelo delegado.
Nessa terça-feira, o delegado anexou laudos ao inquérito comprovando que o caminhão não tinha condições de trafegar e que os motoristas envolvidos no acidente não haviam ingerido bebidas de alcoílicas e conduziam automóveis sem problemas significativos.