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Inquérito da morte de jornalistas depende de laudo sobre rebites

Repórter e cinegrafista da TV Bandeirantes morreram em colisão contra caminhão na Serra

Carro em que estavam jornalistas da Band ficou completamente destruído
Carro em que estavam jornalistas da Band ficou completamente destruído Foto : Mauro Schaefer / CP Memória
A conclusão do inquérito sobre a morte do repórter Enildo Paulo Pereira, o “Paulão”, e o cinegrafista Ezequiel Barbosa, ambos da TV Bandeirantes, depende do resultado dos exames de sangue e urina do caminhoneiro João José de Araújo, de 44 anos. Segundo o titular da Delegacia de Polícia de Farroupilha, delegado Mário Mombach, a investigação sobre o acidente que matou os dois jornalistas e deixou sete pessoas feridas deve ser concluída entre segunda e terça-feira.

Caso seja comprovada a presença de substâncias químicas no corpo do caminhoneiro devido à ingestão de rebites – droga consumida para estimular o sistema nervoso e acelerar o ritmo de trabalho, o delegado acredita que fica claro que o condutor se expôs ao risco de provocar um acidente, o que configura o chamado dolo eventual. Se os exames descartarem o uso dos rebites, Araújo deve ser indiciado por homicídio culposo, sem intenção de matar. “Esta questão de haver o inibidor de sono é que vai deslocar (o tipo de crime), de não ser mais culposo de trânsito e sim homicídio doloso”, esclarece.

O inquérito soma mais de mais de 200 páginas. Mombach já confirmou que o caminhoneiro vai ser indiciado por dois homicídios e sete tentativas de homicídio, podendo ser condenado a mais de 20 anos de prisão. Depois de concluído, o inquérito segue para a Comarca de Farroupilha.

O acidente ocorreu em 27 de abril, quando um comboio de policiais e jornalistas seguia para a cobertura de uma operação policial na Serra. A colisão ocorreu no km 47 da ERS 122, em Farroupilha, no trecho conhecido como "Curva da Morte". O caminhão trafegava de São Paulo em direção a São Sebastião do Caí. O caminhoneiro que provocou a colisão perdeu os freios do veículo.

Motorista responde em liberdade

Como conseguiu responder ao processo em liberdade, por meio de um alvará de soltura, o caminhoneiro deve ser intimado em casa, no Interior de São Paulo, para prestar esclarecimentos à Justiça gaúcha. A hipótese de prendê-lo novamente, de forma preventiva, já foi descartada pelo delegado.

Nessa terça-feira, o delegado anexou laudos ao inquérito comprovando que o caminhão não tinha condições de trafegar e que os motoristas envolvidos no acidente não haviam ingerido bebidas de alcoílicas e conduziam automóveis sem problemas significativos.

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